- Home - Earth inspirations -
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Paul Celan
Paul Celan (poeta romeno - 1920/1970)
O nome de nascimento de Celan era Paul Antschel. Oriundo de uma família judaica de língua alemã, foi vítima da perseguição nazi: o seu avô morreu num campo de concentração e ele próprio sobreviveu milagrosamente ao holocausto. Em 1948 foi viver em Paris, onde se estabeleceu definitivamente. As suas experiências traumáticas, assim como as dos seus companheiros de sofrimento, influenciaram profundamente sua obra lírica, impregnada de formalismo e de traços surrealistas. O poema Fuga da Morte, publicado na compilação Mohn und Gedächtnis (1952), é, do ponto de vista artístico, uma das mais importantes criações em língua alemã sobre o extermínio nazi dos judeus. A sua obra posterior, tomando como ponto de partida a colecção de poemas chamada Sprachgitter (1959), surpreende pela força das imagens literárias, nem sempre fáceis de decifrar. Celan suicidou-se em 1970.
Coração Inconstante
Coração inconstante, a quem a charneca edifica a cidade
no meio das velas e das horas,
tu sobes
com os choupos até aos lagos:
aí talha a flauta, de noite,
o amigo do seu silêncio
e mostra-o às águas.
Na margem
vagueia embuçado o pensamento e escuta:
pois nada
surge com a sua própria forma,
e a palavra, que brilha sobre ti,
crê no escaravelho dentro do feto.
*
Sóis desfiados
Sóis desfiados
sobre o deserto cinzento-negro.
Um pensamento alto-
-como-árvore
capta o tom da luz: ainda
há canções para cantar do outro lado
dos homens.
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Igreja visigótica de Santa Comba de Bande, Galiza
1.Capela-mor com imagem de São Torcato e altar assente numa ara votiva romana. A entrada é feita através de um arco em ferradura tipicamente visigótico suportado por dois pares de colunas, sendo um par de origem romana com capitéis em estilo coríntio e outro par visigótico. A cúpula foi construída em ladrilho do tipo romano.
O tecto de capela-mor contém pinturas murais do século XVI.
2.Inscrição lateral na capela — em Bande, Galicia
O tecto de capela-mor contém pinturas murais do século XVI.
2.Inscrição lateral na capela — em Bande, Galicia
Memorável G.K. Chesterton
de "Ortodoxia"
Há um céptico mais terrível ainda do que aquele que acredita que tudo começou na matéria. É possível encontrar o céptico que acredita que tudo começou em si mesmo. Este é o que duvida não da existência de anjos ou de demónios, mas da existência dos homens e das vacas. Para ele, os próprios amigos não passam de uma mitologia que sua mente arquitectou: foi ele quem criou o próprio pai e a própria mãe. Essa horrível fantasia tem em si qualquer coisa que a torna decisivamente atraente para o egoísmo, um tanto ou quanto místico, do mundo moderno. Aquele editor que pensava que certos homens iriam longe se acreditassem em si mesmos, aqueles que andam em busca do super-homem e vão procurá-lo no espelho, aqueles escritores que falam em imprimir a sua personalidade em vez de criarem vida para o mundo: todos esses homens estão, positivamente, a uma polegada de distância do mais terrível vácuo. E quando o benéfico mundo que nos cerca se tiver enegrecido como uma mentira, quando os amigos se esvaírem como fantasmas, quando os alicerces do mundo desmoronarem, quando o homem que não acredita em nada nem ninguém ficar sozinho no meio do seu pesadelo, ver-se-á escrita sobre ele, numa ironia vingadora, a grande legenda individualista. As estrelas serão apenas pontos na escuridão do seu cérebro, e a face de sua mãe não será mais do que um simples esboço traçado pelo lápis de um louco nas paredes da sua cela. E por sobre essa mesma cela estará escrita esta terrível verdade: Este acredita em si mesmo.
sábado, 2 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
de Almeida Garrett
"As minhas Asas"Eu tinha umas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Que, em me eu cansando da terra,
Batia-as, voava ao céu.
– Eram brancas, brancas, brancas,
Como as do anjo que mas deu:
Eu inocente como elas,
Por isso voava ao céu.
Veio a cobiça da terra.
Vinha para me tentar;
Por seus montes de tesouros
Minhas asas não quis dar.
– Veio a ambição, co'as grandezas,
Vinham para mas cortar
Davam-me poder e glória
Por nenhum preço as quis dar.
Porque as minhas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Em me eu cansando da terra
Batia-as, voava ao céu.
Mas uma noite sem lua
Que eu contemplava as estrelas,
E já suspenso da terra,
Ia voar para elas,
– Deixei descair os olhos
Do céu alto e das estrelas...
Vi entre a névoa da terra,
Outra luz mais bela que elas.
E as minhas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Para a terra me pesavam,
Já não se erguiam ao céu.
Cegou-me essa luz funesta
De enfeitiçados amores...
Fatal amor, negra hora
Foi aquela hora de dores!
– Tudo perdi nessa hora
Que provei nos seus amores
O doce fel do deleite,
O acre prazer das dores.
E as minhas asas brancas,
Asas que um anjo me deu
Pena a pena me caíram...
Nunca mais voei ao céu.
(Almeida Garrett - Flores sem Fruto)
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Por Daniel Proulx
LE RÔLE DE L’IMAGINATION DANS L’EXPÉRIENCE SPIRITUELLE D’IBN AL-ʿARABĪ ET DE JAKOB BÖHME
Henry Corbin a écrit qu’« un Maître Eckhart et un Jacob Boehme
eussent parfaitement compris Ibn ʿArabî, et
réciproquement.1 » Mais comment assurer ce dialogue et
cette compréhension réciproque pressentie par Henry Corbin? Cette recherche
porte essentiellement sur les conditions de possibilités de ce dialogue, puisque
la comparaison entre Ibn al-ʿArabī et Böhme n’est encore qu’à ses balbutiements.
En choisissant le prisme de l’imagination, le but est double :
pouvoir traiter de manière non réductrice les phénomènes spirituels en
parcourant et analysant la logique spécifique de l’imagination ; et, sous
l’égide de la hiérohistoire, explorer le rôle de l’imagination dans
la métaphysique et l’éthique d’Ibn al-ʿArabī et de Böhme. Il s’agit donc d’essayer de lire Ibn
al-ʿArabī et Böhme
comme ils lisaient eux-mêmes le Livre révélé de leur tradition respective.
Au final, il appert que le théophanisme caractéristique tant de la
métaphysique d’Ibn al- ʿArabī
que de celle de Böhme est une riche terre d’accueil de l’imagination
et de l’imaginal. Et que, si la comparaison strictu sensu entre Ibn al-ʿArabī et Böhme est
impossible, l’esprit comparatif et transdisciplinaire de cette recherche, ainsi
que la méthode phénoménologico-herméneutique, offrent de nouvelles avenues de
réappropriation pour l’ensemble des phénomènes spirituels.
PRÉLUDE
Pro captu lectoris habent sua fata libelli. D’emblée, le lecteur
consciencieux nourrit probablement une certaine suspicion par rapport à ce
qu’annonce le titre de cette recherche. Le lecteur se demandera peut-être
comment l’auteur considérera sérieusement deux auteurs aussi éloignés, et
comment traitera-t-il concrètement de l’imagination dans un phénomène aussi
mouvant que l’expérience spirituelle? Nous mettons en garde le lecteur
voulant entreprendre cette quête avec nous du fait qu’il devra s’impliquer
lui-même dans cette traversée et nous suggérons à celui qui ne veut
qu’objectivement ou historiquement s’informer sur le sujet d’arrêter sa lecture
dès à présent, car l’objectivité n’est pas le but visé de notre recherche. Cette
recherche est sous le signe de deux distiques de l’Errant chérubinique qui
s’énoncent comme suit : « L’âme est un cristal, la Déité est sa clarté; Le corps
en lequel tu vis est leur enveloppe à tous les deux. » Et
la conséquence métaphysique est que « Dieu ne vit pas sans moi. Je sais que Dieu
sans moi ne peut vivre un moment ; Si je m’abîme, Il rend l’esprit de
dénuement.»
Nous prendrons à rebours les approches usuellement utilisées. Nous
proposons une « remontée vers l’origine » qui, lorsqu’elle s’achèvera, s’avérera
être le point que nous avions laissé en faisant le premier pas. Sans entrer dans
une logique circulaire, dans une logique fermée sur elle-même, dans un
subjectivisme, nous prendrons autant en considération les données sensibles,
qu’expérientielles de nos deux auteurs. Nous ordonnerons en constellation de
symboles leurs pensées laissées sur le papier. Ce qui nous intéresse avant tout,
c’est d’organiser et de rapprocher des matériaux pour qu’une autre lecture en
soit possible. Une lecture qui exhausse la portée de ce qu’énoncent
nos mystiques et qui puisse peut-être valider l’existence d’un ésotérisme
abrahamique. Par l’intériorisation de nos auteurs, nous procédons à un travail
similaire à celui qu’ils ont opéré à propos de leur livre révélé; c’est en ce
sens que notre travail n’est pas objectif et que nous ne prouverons rien.
Tout au long de ce texte, de nombreux voyages seront mentionnés.
La plupart ne relèvent pas du calendrier de l’histoire; ce sont des événements
de l’âme, des événements dont les témoins et les témoignages ne peuvent être
accrédités dans une cour de justice, mais dont la vérité et l’action s’expriment
dans le vécu de l’âme, dans la vie de l’esprit, dans la spiritualité, une
existence, dont la permanence transcende l’historicité, et ce faisant, fait
apparaître une histoire real6 signalée par le terme de
hiérohistoire.
Accompagné par l’ange de Henry Corbin, nous pensons que la vie
spirituelle n’est pas dans l’humain, que c’est l’humain qui est en elle et c’est pour cela que nous nous permettons d’être une matrice
s’imprégnant de son sujet. Ce travail s’annonce ainsi sous le signe d’une «herméneutique spirituelle» parce que la compréhension présentée de nos deux
théosophes est elle-même corollaire de notre capacité d’accueil. Notre maîtrise
a été envisagée comme une co-naissance, car elle n’est pas de son temps, mais «
son temps propre », en cherchant à actualiser le savoir humain. La progression
du savoir n’émane pas d’une création ex nihilo. La progression du savoir
consiste à intégrer ou intérioriser la complexité des relations entre l’humain
et sa réalité. En ce sens, nous ne clarifierons rien d’autre que notre propre
intériorisation.
E para ler fragmentos de Ibn Arabî, em inglês, seguir este link: http://philosophiaperennisetuniversalis.blogspot.pt/2012/10/journey-to-lord-of-power.html#more
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Subscrever:
Mensagens (Atom)














