quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Momento com Cecília Meireles
Momento com Cecília Meireles
Alguns Poemas e um pouco de Mozart
Cecília Meireles (Rio de Janeiro, 1901-Rio de Janeiro, 1964)
Cecília Meireles foi uma poetisa, professora, jornalista e pintora brasileira. Cecília conviveu desde muito cedo com a morte, sendo a única sobrevivente dos quatro filhos de Carlos Alberto de Carvalho Meireles e de Matilde Benevides Meireles. O pai viria a morrer, tinha Cecília três meses, e ainda não tinha completado três anos de idade quando perdeu a mãe. A partir de então ficaria a cargo da avó materna, Jacinta Garcia Benevides, uma senhora açoriana da ilha de São Miguel.
Cecília escreveria mais tarde: "Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno. (...) Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A noção ou o sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade. (...)”
Cecília Meireles, por Arpad Szènes
Em 1939 Cecília Meireles perde o marido, o artista plástico português Fernando Correia Dias. Mais uma vez a morte marca a sua vida, e esse sentimento de transitoriedade de que a poetisa fala, reflete-se nos poemas que escreve, como em “Motivo”.
Não sou alegre nem sou triste: sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,/não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias/no vento.
Se desmorono ou se edifico,/se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico/ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo./tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo: — mais nada.
in Viagem (1939)
A musicalidade deste poema transporta-nos à poesia da música de Mozart. Proponho então que ouçamos, deste compositor, o sublime II Andamento – Andante - do Concerto nº 21, para piano e orquestra.
O Barco Desaparecido, Souza Pinto (Açores, 1856-Bretanha, 1939)
No poema “Mar Absoluto”, Cecília Meireles expressa as suas raízes açorianas, certamente cultivadas pela avó micaelense que a criou.
Mar Absoluto
(excerto)
Foi desde sempre o mar,/e multidões passadas me empurravam,
como o barco esquecido.
Agora recordo que falavam/da revolta dos ventos,
de linhos , de cordas, de ferros,/de sereias dadas à costa.
E o rosto dos meus avós estava caído/pelos mares do Oriente, com seus corais e pérolas,/e pelos mares do Norte, duros de gelo.
Então, é comigo que falam,/sou eu que devo ir.
Porque não há ninguém,/tão decidido a amar e a obedecer a seus mortos.
E tenho de procurar meus tios remotos afogados.
Tenho de levar-lhes rezas,/campos convertidos em velas,
barcas sobrenaturais/com peixes mensageiros/e cantos náuticos.
(…)
domingo, 17 de novembro de 2013
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
Nascimento de D. Manuel II a 15 de Novembro
Em 15 de Novembro de 1889 nasceu aquele que foi o último Rei de Portugal Dom Manuel II, filho do Rei Dom Carlos e da Rainha Dona Amélia, sendo baptizado pelo cardeal-patriarca D. José Neto, em 18 de Dezembro de 1889.
Dom Manuel II tinha um especial gosto pelas artes, historia, música e literatura, como o herdeiro directo ao trono seria o seu irmão mais velho Dom Luís Filipe, Dom Manuel II gostaria de ter tido uma carreira ao serviço da marinha o que não veio a acontecer devido ao assassinato do seu pai e seu irmão.
Com o funeral do Rei Dom Carlos e do Príncipe Dom Luís Filipe, assassinados em 1 de Fevereiro de 1908, Dom Manuel II torna-se o 35º Rei de Portugal, aos 18 anos de idade. Durante o seu curto reinado nunca chegou a casar-se e a 4 Outubro de 1910 foi feito um golpe militar. Dom Manuel II foi exilado em Gibraltar a 7 de Outubro do mesmo ano e mais tarde foi para Londres.
Em 4 de Setembro de 1913, Dom Manuel II casou com Dona Augusta Vitoria pelo civil e mais tarde pelo religioso, cerimónia essa que foi presidida pelo antigo cardeal-patriarca de Lisboa D. José Neto, exilado em Sevilha.
A 2 de Julho de 1932, Dom Manuel II, morreu em Londres devido a doença prolongada.
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
Cantiga de amigo de D. Dinis e Eanes Solaz
"Durante muito tempo esta notável cantiga de amigo de Pedro Eanes Solaz não encontrou uma explicação cabal, dada a estranheza do seu duplo refrão. Mas desde o momento em que esse refrão foi identificado como uma frase árabe significando «e a noite roda», o seu sentido clarificou-se. Mantendo o perfeito e extraordinário lirismo das cantigas de amigo, Pedro Eanes Solaz aludiria aqui, ao mesmo tempo, aos amores proibidos entre uma donzela e um muçulmano (uma soldadeira bailarina com um músico árabe, dos que frequentavam as cortes peninsulares, seria imaginável). Esta hipótese, que actualmente prevalece, parece-me, aliás, confirmada por aquele demo que surge na última estrofe, parecendo baralhar todo o universo lírico anterior."
Graça Videira Lopes
terça-feira, 12 de novembro de 2013
Encerramento do Ano da Fé
As relíquias do Apostolo São Pedro serão expostas ao público pela primeira vez no encerramento do Ano da Fé.
A informação foi avançada por D.Rino Fisichella, hoje no L'Osservatore Romano. Porém não se sabe ao certo em que dia nem como ocorrerá essa veneração às reliquias do primeiro Papa.
O Ano da Fé, convocado pelo Papa Bento XVI há um ano, será encerrado no dia 24 de Novembro com uma Missa celebrada pelo Papa Francisco na Praça de São Pedro.
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Rodrigo Emílio, 5 quadras à solta
RODRIGO EMÍLIO (Rodrigo Emílio nasceu em Lisboa a 18 de Fevereiro de 1944, - Lisboa, 28 de Março de 2004 ), poeta tão esquecido na vida e na morte, e de tão largo merecimento, que merece ser repetidamente recordado.
5 Quadras à solta, como 5 velas d’anos em louvor do Tiaguinho
e do principe seu irmão
Há dois postigos que trago
sempre no peito comigo:
por um, espreita o Tiago;
por outro, espreita o Rodrigo.
De cada vez que os abro,
fica-me parvo o umbigo,
ao ver: de um lado, o Tiago;
do outro lado, o Rodrigo.
Comem uvas, bago a bago;
papam figos, figo a figo...
Não perde um bago, o Tiago,
Não perde um figo, o Rodrigo.
(Se o bago te fôr amargo,
põe-no de lado, Tiago!
Larga o bago! Evita o perigo!
Troca por figos o bago;
depenica com o Rodrigo.
... E, sem causares grande estrago
chama um figo a cada figo!
Por este andar, não acabo
e ainda apanho um castigo
do Rodrigo ou do Tiago
ou até, do Pai Rodrigo...
...e, então, é que é o diabo...!
Estou feito ao bife comigo!...
Sendo assim, já não vos chago
mais por hoje, com o que digo.
Parabéns, para o Tiago!
... E oito chôchos, p’ró Rodrigo.
Há dois postigos que trago
sempre no peito comigo:
ligo um – sai-me o Tiago;
do outro – sai-me o Rodrigo.
(Nunca por nunca os apago
dos olhos de avô e amigo!...)
Estoril, aos 8 de Dezembro de 2003
5 Quadras à solta, como 5 velas d’anos em louvor do Tiaguinho
e do principe seu irmão
Há dois postigos que trago
sempre no peito comigo:
por um, espreita o Tiago;
por outro, espreita o Rodrigo.
De cada vez que os abro,
fica-me parvo o umbigo,
ao ver: de um lado, o Tiago;
do outro lado, o Rodrigo.
Comem uvas, bago a bago;
papam figos, figo a figo...
Não perde um bago, o Tiago,
Não perde um figo, o Rodrigo.
(Se o bago te fôr amargo,
põe-no de lado, Tiago!
Larga o bago! Evita o perigo!
Troca por figos o bago;
depenica com o Rodrigo.
... E, sem causares grande estrago
chama um figo a cada figo!
Por este andar, não acabo
e ainda apanho um castigo
do Rodrigo ou do Tiago
ou até, do Pai Rodrigo...
...e, então, é que é o diabo...!
Estou feito ao bife comigo!...
Sendo assim, já não vos chago
mais por hoje, com o que digo.
Parabéns, para o Tiago!
... E oito chôchos, p’ró Rodrigo.
Há dois postigos que trago
sempre no peito comigo:
ligo um – sai-me o Tiago;
do outro – sai-me o Rodrigo.
(Nunca por nunca os apago
dos olhos de avô e amigo!...)
Estoril, aos 8 de Dezembro de 2003
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Poemas da China antiga
O Parque dos Veados
Solitários vazios montes, ninguém à vista
Ecos somente de vozes humanas.
Um sol tardio entra no bosque fundo
Brilha de novo o musgo verde.
(Wang Wei, in Uma Antologia de Poesia Chinesa. Trad.: Gil de Carvalho)
*******
[Ao Cantar do Galo]
Vai nascer a aurora, a leste, brilham ainda as estrelas
Os galos de Runan trepam os muros e cantam.
Calaram-se as canções, a clepsidra vazia, mas a festa continua
A lua se oculta, poucas estrelas já, nasce no céu a manhã.
Rodam nas mil portas chaves em forma de peixe
Pegas e corvos voam dos muros do palácio e da cidade.
(Anónimo, in Uma Antologia de Poesia Chinesa. Trad.: Gil de Carvalho)
detalhe da pintura 'Céus de Outono Sobre as Montanhas' de Guo Xi

Solitários vazios montes, ninguém à vista
Ecos somente de vozes humanas.
Um sol tardio entra no bosque fundo
Brilha de novo o musgo verde.
(Wang Wei, in Uma Antologia de Poesia Chinesa. Trad.: Gil de Carvalho)
*******
[Ao Cantar do Galo]
Vai nascer a aurora, a leste, brilham ainda as estrelas
Os galos de Runan trepam os muros e cantam.
Calaram-se as canções, a clepsidra vazia, mas a festa continua
A lua se oculta, poucas estrelas já, nasce no céu a manhã.
Rodam nas mil portas chaves em forma de peixe
Pegas e corvos voam dos muros do palácio e da cidade.
(Anónimo, in Uma Antologia de Poesia Chinesa. Trad.: Gil de Carvalho)
detalhe da pintura 'Céus de Outono Sobre as Montanhas' de Guo Xi

quarta-feira, 6 de novembro de 2013
S. Nuno de Santa Maria, Dom Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável: evocação por Bento XVI
A Igreja assinala a 6 de novembro a memória do Santo Condestável, que «embora fosse um óptimo militar e um grande chefe, nunca deixou os dotes pessoais sobreporem-se à acção suprema que vem de Deus», como realçou Bento XVI.
Recordamos a evocação de S. Nuno de Santa Maria redigida pelo Vaticano aquando da canonização, seguida de excertos da homilia da missa em que foi declarado santo, presidida pelo atual papa emérito.
«Nuno Álvares Pereira nasceu em Portugal a 24 de junho de 1360, muito provavelmente em Cernache do Bonjardim, sendo filho ilegítimo de fr. Álvaro Gonçalves Pereira, cavaleiro dos Hospitalários de S. João de Jerusalém e Prior do Crato, e de D. Iria Gonçalves do Carvalhal. Cerca de um ano após o seu nascimento o menino foi legitimado por decreto real, podendo assim receber a educação cavalheiresca típica dos filhos das famílias nobres do seu tempo.
Aos treze anos torna-se pajem da rainha D. Leonor, tendo sido bem recebido na Corte e acabando por ser pouco depois cavaleiro. Aos dezasseis anos casa-se, por vontade de seu pai, com uma jovem e rica viúva, D. Leonor de Alvim. Da sua união nascem três filhos, dois do sexo masculino, que morrem em tenra idade, e uma do sexo feminino, Beatriz, a qual mais tarde viria a desposar o filho do rei D. João I, D. Afonso, primeiro duque de Bragança.
Quando o rei D. Fernando I morreu a 22 de outubro de 1383 sem ter deixado filhos varões, o seu irmão D. João, Mestre de Avis, viu-se envolvido na luta pela coroa lusitana, que lhe era disputada pelo rei de Castela por ter desposado a filha do falecido rei. Nuno tomou o partido de D. João, o qual o nomeou Condestável, isto é, Comandante supremo do exército. Nuno conduziu o exército português repetidas vezes à vitória, até se ter consagrado na batalha de Aljubarrota (14 de agosto de 1385), a qual acaba por determinar à resolução do conflito.
Os dotes militares de Nuno eram no entanto acompanhados por uma espiritualidade sincera e profunda. O amor pela eucaristia e pela Virgem Maria são a trave-mestra da sua vida interior. Assíduo à oração mariana, jejuava em honra da Virgem Maria às quartas-feiras, às sextas, aos sábados e nas vigílias das suas festas. Assistia diariamente à missa, embora só pudesse receber a eucaristia por ocasião das maiores solenidades. O estandarte que elegeu como insígnia pessoal traz as imagens do Crucificado, de Maria e dos cavaleiros S. Tiago e S. Jorge. Fez ainda construir às suas próprias custas numerosas igrejas e mosteiros, entre os quais se contam o Carmo de Lisboa e a Igreja de S. Maria da Vitória, na Batalha.
Com a morte da esposa, em 1387, Nuno recusa contrair novas núpcias, tornando-se um modelo de pureza de vida. Quando finalmente se alcançou a paz, distribui grande parte dos seus bens entre os seus companheiros, antigos combatentes, e acabou por se desfazer totalmente daqueles em 1423, quando decide entrar no convento carmelita por ele fundado, tomando então o nome de frei Nuno de Santa Maria.
Impelido pelo Amor, abandona as armas e o poder para revestir-se da armadura do Espírito recomendada pela Regra do Carmo: era a opção por uma mudança radical de vida em que sela o percurso da fé autêntica que sempre o tinha norteado. Embora tivesse preferido retirar-se para uma longínqua comunidade de Portugal, o filho do rei, D. Duarte, de tal o impediu. Mas ninguém pode proibir-lhe que se dedicasse a pedir esmola em favor do convento e sobretudo dos pobres, os quais continuou sempre a assistir e a servir. Em seu favor organiza a distribuição quotidiana de alimentos, nunca voltando as costas a um pedido.
O Condestável do rei de Portugal, o Comandante supremo do exército e seu guia vitorioso, o fundador e benfeitor da comunidade carmelita, ao entrar no convento recusa todos os privilégios e assume como própria a condição mais humilde, a de frade Donato, dedicando-se totalmente ao serviço do Senhor, de Maria — a sua terna Padroeira que sempre venerou —, e dos pobres, nos quais reconhece o rosto de Jesus.
Significativo foi o dia da morte de frei Nuno de Santa Maria, o domingo de Páscoa, 1 de abril de 1431, passando imediatamente a ser reputado de “santo” pelo povo, que desde então o começa a chamar “Santo Condestável”.
Mas, embora a fama de santidade de Nuno se mantenha constante, chegando mesmo a aumentar, ao longo dos tempos, o percurso do processo de canonização será bem mais acidentado. Promovido desde logo pelos soberanos portugueses e prosseguido pela Ordem do Carmo, depara com numerosos obstáculos, de natureza exterior. Foi somente em 1894 que o Pe. Anastasio Ronci, então postulador geral dos Carmelitas, consegue introduzir o processo para o reconhecimento do culto do Beato Nuno “desde tempos imemoriais”, acabando este por ser felizmente concluído, apesar das dificuldades próprias do tempo em que decorre, no dia 23 de dezembro de 1918 com o decreto Clementissimus Deus do Papa Bento XV.
As suas relíquias foram trasladadas numerosas vezes do sepulcro original para a Igreja do Carmo, até que, em 1961, por ocasião do sexto centenário do nascimento do Beato Nuno, se organizou uma peregrinação do precioso relicário de prata que as continha; mas pouco tempo depois é roubado, nunca mais tendo sido encontradas as relíquias que contivera, tendo sido depostos, em vez delas, alguns ossos que tinham sido conservados noutro lugar. A descoberta em 1966 do lugar do túmulo primitivo contendo alguns fragmentos de ossos compatíveis com as relíquias conhecidas reacendeu o desejo de ver o Beato Nuno proclamado em breve Santo da Igreja.
O Postulador Geral da Ordem, P. Felipe M. Amenós y Bonet, conseguiu que fosse reaberta a causa, que entretanto era corroborada graças a um possível milagre ocorrido em 2000. Tendo sido levadas a cabo as respetivas investigações, o Santo Padre, Papa Bento XVI, dispõe a 3 de julho de 2008 a promulgação do decreto sobre o milagre em ordem à canonização e durante o Consistório de 21 de fevereiro de 2009 determina que o Beato Nuno seja inscrito no álbum dos Santos no dia 26 de abril de 2009.»
Na homilia da missa em que Nuno de Santa Maria foi canonizado, celebrada na Praça de S. Pedro, Vaticano, a 26 de abril de 2009, o papa Bento XVI evocou o Salmo 4: «Sabei que o Senhor me fez maravilhas. Ele me ouve, quando eu o chamo».
«Estas palavras do Salmo Responsorial exprimem o segredo da vida do bem-aventurado Nuno de Santa Maria, herói e santo de Portugal. Os setenta anos da sua vida situam-se na segunda metade do século XIV e primeira do século XV, que viram aquela nação consolidar a sua independência de Castela e estender-se depois pelos Oceanos – não sem um desígnio particular de Deus –abrindo novas rotas que haviam de propiciar a chegada do Evangelho de Cristo até aos confins da terra. São Nuno sente-se instrumento deste desígnio superior e alistado namilitia Christi, ou seja, no serviço de testemunho que cada cristão é chamado a dar no mundo», sublinhou.
O atual papa emérito salientou a «intensa vida de oração e absoluta confiança no auxílio divino»: «Embora fosse um ótimo militar e um grande chefe, nunca deixou os dotes pessoais sobreporem-se à ação suprema que vem de Deus».
«São Nuno esforçava-se por não pôr obstáculos à ação de Deus na sua vida, imitando Nossa Senhora, de Quem era devotíssimo e a Quem atribuía publicamente as suas vitórias. No ocaso da sua vida, retirou-se para o Convento do Carmo por ele mandado construir».
«Sinto-me feliz por apontar à Igreja inteira esta figura exemplar nomeadamente pela presença duma vida de fé e oração em contextos aparentemente pouco favoráveis à mesma, sendo a prova de que em qualquer situação, mesmo de caráter militar e bélico, é possível atuar e realizar os valores e princípios da vida cristã, sobretudo se esta é colocada ao serviço do bem comum e da glória de Deus», afirmou Bento XVI.
terça-feira, 5 de novembro de 2013
Creating the Impossible (on Tarkovsky's Andrei Rublev)
ANDREI RUBLEV
The Passion According to Andrei (The disciples)
The Battle
Boriska treasuring his bell
The Icon
Andrei Tarkovsky and Andrei Mikhalkov-Konchalovsky (screenplay), Andrei Tarkovsky (director) Andrei Rublev / 1966
ike the iconic images of the artist upon which this movie focuses, Tarkovsky's Andrei Rublev is less a story or even a series of stories than it is a panorama of stopped moments in time. Like the great films of director Sergei Parajanov,Shadows of Forgotten Ancestors two years earlier Sayat Nova of 1968, Andrei Rublev is less a film about time than it is a series of emblematic images, scenes that in their slow resolution of beauty and horror reveal a passionate and transformative experience that has little do with story or plot. And in that sense, nearly all of Tarkovsky's works from this film forward tell themselves in formal cinematic patterns instead of narrative space.
Tarkovsky divides his film into 9 parts: A "Prologue" seven moments in time, followed by an Epilogue.
The Jester, Summer 1400
Theophanes the Greek, Summer-Winter-Spring-Summer 1405-1406
The Holiday, 1408
The Last Judgement, Summer 1408
The Raid, Autumn 1408
The Silence, Winter 1412
The Bell, Spring-Summer-Winter-Spring 1423-1424
The Jester, Summer 1400
Theophanes the Greek, Summer-Winter-Spring-Summer 1405-1406
The Holiday, 1408
The Last Judgement, Summer 1408
The Raid, Autumn 1408
The Silence, Winter 1412
The Bell, Spring-Summer-Winter-Spring 1423-1424
The Silence
The Trailer
sábado, 2 de novembro de 2013
Poema de Teixeira de Pascoaes
TEIXEIRA DE PASCOAES - (Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos) nasceu em 2 Nov. - há 136 anos - 1877 em Amarante; morreu em 14 Dez. 1952)
Aí vem a noite... Sente-se crescer...
E um silêncio de estrelas aparece.
Quem é, quem é, meu Deus, que empalidece
E se cobre de cinzas, no meu ser?
Alma que se desprende numa prece...
Que suave e divino entardecer!
Como seria bom assim morrer...
Morrer, como a paisagem desfalece,
Morrer quase a sorrir, devagarinho.
Ser ainda do mundo pobrezinho
E já pairar, sonhando, além dos céus,
Morrer, cair nos braços da ternura;
Morrer, fugir, enfim, à morte escura,
Sermos, enfim, na eterna paz de Deus!
Aí vem a noite... Sente-se crescer...
E um silêncio de estrelas aparece.
Quem é, quem é, meu Deus, que empalidece
E se cobre de cinzas, no meu ser?
Alma que se desprende numa prece...
Que suave e divino entardecer!
Como seria bom assim morrer...
Morrer, como a paisagem desfalece,
Morrer quase a sorrir, devagarinho.
Ser ainda do mundo pobrezinho
E já pairar, sonhando, além dos céus,
Morrer, cair nos braços da ternura;
Morrer, fugir, enfim, à morte escura,
Sermos, enfim, na eterna paz de Deus!
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
1 de Novembro, dia de Todos-os-Santos
De origem irlandesa, Solemnitas Sanctissima (Alcuíno) de Todos os Santos, a Festa de Todos os Santos, que hoje se celebra, começou a ser comemorada na Inglaterra no século oitavo. Ela alcançou o continente no ano de 800. De acordo com Adon, o imperador Luís, o Piedoso prescreveu a sua celebração por todo o Império (833). É atestada em Roma no século décimo. Foi celebrada em todo o lado, a par dos maiores feriados do ano, com o jejum de preparação e vigília.
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Sohrab Sepehri, Endereço
Bukhara, Uzbekistan
ENDEREÇO
“Onde fica a casa do amigo?” Era alvorada quando o cavaleiro perguntou.
O céu fez uma pausa.
O passante tirou o ramo de luz que trazia nos lábios, ofereceu para a escuridão das areias,
com o dedo apontou um álamo e disse:
“Antes da árvore
tem uma alameda que é mais verde que o sono de Deus
e lá o amor é um azul igual ao das penas da sinceridade.
Siga até o fim dessa rua, que vai dar atrás da adolescência
e então dobre em direção da flor da solidão.
A dois passos da flor
fique ao pé da fonte dos mitos eternos da Terra
e um medo transparente vai lhe dominar.
Na intimidade que flui no espaço, ouvirá um ruído:
verá uma criança
que subiu num pinheiro alto para apanhar um filhote no ninho da luz.
E então pergunte a ela
onde fica a casa do amigo.”
Tradução de Nasrin Haddad Battaglia – abril, 2012
“Onde fica a casa do amigo?” Era alvorada quando o cavaleiro perguntou.
O céu fez uma pausa.
O passante tirou o ramo de luz que trazia nos lábios, ofereceu para a escuridão das areias,
com o dedo apontou um álamo e disse:
“Antes da árvore
tem uma alameda que é mais verde que o sono de Deus
e lá o amor é um azul igual ao das penas da sinceridade.
Siga até o fim dessa rua, que vai dar atrás da adolescência
e então dobre em direção da flor da solidão.
A dois passos da flor
fique ao pé da fonte dos mitos eternos da Terra
e um medo transparente vai lhe dominar.
Na intimidade que flui no espaço, ouvirá um ruído:
verá uma criança
que subiu num pinheiro alto para apanhar um filhote no ninho da luz.
E então pergunte a ela
onde fica a casa do amigo.”
Tradução de Nasrin Haddad Battaglia – abril, 2012
Sohrab Sepehri foi um famoso poeta e pintor iraniano.
Nasceu na cidade de Kashan e é considerado um dos 5 maiores poetas persas modernos.
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
domingo, 27 de outubro de 2013
Dylan Thomas, de quem passa hoje o Aniversário de Nascimento
Dylan Marlais Thomas nasceu em Swansea, no País de Gales, a 27 de outubro de 1914, passando hoje o seu 99º Aniversário de nascimento. Considerado um dos maiores poetas do século XX em língua inglesa, juntamente com W.Carlos Williams, Wallace Stevens, T.S. Eliot e W.B. Yeats. Dylan Thomas teve uma vida muito curta, devido a exagerada boemia que o levou ao fim de seus dias aos 39 anos, mas, ainda teve tempo de nos deixar um legado poético que o tornou um dos maiores influenciadores de toda uma geração de escritores."
“To begin, at the beginning...”
― Dylan Thomas, Under Milk Wood
― Dylan Thomas, Under Milk Wood
.
POEMA DE OUTUBRO
Era o meu trigésimo ano rumo ao céu
Quando chegou aos meus ouvidos, vindo do porto
e do bosque ao lado,
E da praia empoçada de mexilhões
E sacralizada pelas garças
O aceno da manhã
Quando chegou aos meus ouvidos, vindo do porto
e do bosque ao lado,
E da praia empoçada de mexilhões
E sacralizada pelas garças
O aceno da manhã
Com as preces da água e o grito das gralhas e gaivotas
E o chocar-se dos barcos contra o muro emaranhado de redes
Para que de súbito
Me pusesse de pé
E descortinasse a imóvel cidade adormecida.
E o chocar-se dos barcos contra o muro emaranhado de redes
Para que de súbito
Me pusesse de pé
E descortinasse a imóvel cidade adormecida.
Meu aniversário começou com as aves marinhas
E os pássaros das árvores aladas esvoaçavam o meu nome
Sobre as granjas e os cavalos brancos
E levantei-me
No chuvoso outono
E perambulei sem rumo sob o aguaceiro de todos os meus dias.
A garça e a maré alta mergulhavam quando tomei a estrada
Acima da divisa
E as portas da cidade
Ainda estavam fechadas enquanto o povo despertava.
E os pássaros das árvores aladas esvoaçavam o meu nome
Sobre as granjas e os cavalos brancos
E levantei-me
No chuvoso outono
E perambulei sem rumo sob o aguaceiro de todos os meus dias.
A garça e a maré alta mergulhavam quando tomei a estrada
Acima da divisa
E as portas da cidade
Ainda estavam fechadas enquanto o povo despertava.
Toda uma primavera de cotovias numa nuvem rodopiante
E os arbustos à beira da estrada transbordante de gorjeios
De melros e o sol de outubro
Estival
Sobre os ombros da colina,
Eram climas amorosos e houve doces cantores
Que chegaram de repente na manhã pela qual eu vagava e ouvia
Como se retorcia a chuva
O vento soprava frio No bosque ao longe que jazia a meus pés.
Pálida chuva sobre o porto que encolhia
E sobre o mar que umedecia a igreja do tamanho de um caracol
Com seus cornos através da névoa e do castelo
Encardido como as corujas Mas todos os jardins
Da primavera e do verão floresciam nos contos fantásticos
Para além da divisa e sob a nuvem apinhada de cotovias.
Ali podia eu maravilhar-me
Meu aniversário Ia adiante mas o tempo girava em derredor.
E os arbustos à beira da estrada transbordante de gorjeios
De melros e o sol de outubro
Estival
Sobre os ombros da colina,
Eram climas amorosos e houve doces cantores
Que chegaram de repente na manhã pela qual eu vagava e ouvia
Como se retorcia a chuva
O vento soprava frio No bosque ao longe que jazia a meus pés.
Pálida chuva sobre o porto que encolhia
E sobre o mar que umedecia a igreja do tamanho de um caracol
Com seus cornos através da névoa e do castelo
Encardido como as corujas Mas todos os jardins
Da primavera e do verão floresciam nos contos fantásticos
Para além da divisa e sob a nuvem apinhada de cotovias.
Ali podia eu maravilhar-me
Meu aniversário Ia adiante mas o tempo girava em derredor.
Ao girar me afastava do país em júbilo
E através do ar transfigurado e do céu cujo azul se matizava
Fluía novamente um prodígio do verão
Com maçãs
Pêras e groselhas encarnadas
E no girar do tempo vi tão claro quanto uma criança
Aquelas esquecidas manhãs em que o menino passeava com sua mãe Em meio às parábolas
Da luz solar
E às lendas da verde capela
E através do ar transfigurado e do céu cujo azul se matizava
Fluía novamente um prodígio do verão
Com maçãs
Pêras e groselhas encarnadas
E no girar do tempo vi tão claro quanto uma criança
Aquelas esquecidas manhãs em que o menino passeava com sua mãe Em meio às parábolas
Da luz solar
E às lendas da verde capela
E pêlos campos da infância duas vezes descritos
Pois suas lágrimas me queimavam as faces e seu coração
se enternecia em mim.
Esses eram os bosques e o rio e o mar
Ali onde um menino
À escuta
Do verão dos mortos sussurrava a verdade de seu êxtase
Às árvores e às pedras e ao peixe na maré.
E todavia o mistério
Pulsava vivo Na água e nos pássaros canoros.
Pois suas lágrimas me queimavam as faces e seu coração
se enternecia em mim.
Esses eram os bosques e o rio e o mar
Ali onde um menino
À escuta
Do verão dos mortos sussurrava a verdade de seu êxtase
Às árvores e às pedras e ao peixe na maré.
E todavia o mistério
Pulsava vivo Na água e nos pássaros canoros.
E ali podia eu maravilhar-me com meu aniversário
Que fugia, enquanto o tempo girava em derredor. Mas a verdadeira
Alegria da criança há tanto tempo morta cantava
Ardendo ao sol.
Era o meu trigésimo ano
Rumo ao céu que então se imobilizara no meio-dia do verão
Embora a cidade repousasse lá embaixo coberta de folhas no sangue de outubro.
Que fugia, enquanto o tempo girava em derredor. Mas a verdadeira
Alegria da criança há tanto tempo morta cantava
Ardendo ao sol.
Era o meu trigésimo ano
Rumo ao céu que então se imobilizara no meio-dia do verão
Embora a cidade repousasse lá embaixo coberta de folhas no sangue de outubro.
Oh, pudesse a verdade de meu coração
Ser ainda cantada
Nessa alta colina um ano depois.
Ser ainda cantada
Nessa alta colina um ano depois.
sábado, 26 de outubro de 2013
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