segunda-feira, 28 de julho de 2014
sábado, 26 de julho de 2014
A CRUZ DE LORENA
A representação da cruz dupla tornou-se, com o decorrer do tempo, um símbolo amplamente utilizado para diversas finalidades. Iremos aqui detalhar um pouco mais sobre a Cruz de Lorena, estamos incluindo algumas curiosidades relacionadas com este símbolo.
Em homenagem ao General de Gaulle, a Cruz de Lorena, com 43,50 metros de altura, construída em granito rosa pelos arquitetos Marc Nebinger e Michel Mosser, evoca a memória de Charles de Gaulle tal como ele queria. O local onde está o monumento,erguido em 1972 sobre o ponto mais alto de Colombey-les-Deux-Églises, oferece um esplêndido panorama paisagístico de Haute-Marne. A cidade ficou famosa após o General de Gaulle ter comprado, em 1934, a fazenda de La Boisserie, onde costumava descansar. Morto em 1970, o general, sua esposa Yvonne e sua filha Anne estão enterrados no cemitério da pequena comunidade.
PRIMEIRAS REPRESENTAÇÕES
Encontram-se representações da cruz dupla em La Ferrasie, na Dordonha e em Las Batuecas, na Espanha, desde a era pré-histórica.
Na interpretação de alguns, o montante vertical é um meridiano e localiza o Norte e o Sul; a barra horizontal mais curta, representa o solstício de inverno, e a mais longa, o de verão; o conjunto simboliza, portanto, o percurso do sol durante um ano.
Na interpretação de alguns, o montante vertical é um meridiano e localiza o Norte e o Sul; a barra horizontal mais curta, representa o solstício de inverno, e a mais longa, o de verão; o conjunto simboliza, portanto, o percurso do sol durante um ano.
O Espaço representado por uma cruz dupla:
A) O meridiano celeste,
B) A rota do sol no verão,
C) O percurso do sol no inverno.
A CRUZ DUPLA NA HISTÓRIA
É em Jerusalém que se identificam os primeiros vestígios da cruz dupla. Desde o século IV é sob a forma da cruz dupla que são representadas as relíquias da Cruz Verdadeira utilizada na Paixão de Cristo, segundo a lenda, reencontrada por Santa Helena sobre o Monte das Oliveiras. Esta representação foi adoptada porque seria o símbolo do poder dos Patriarcas de Jerusalém, guardiões da Cruz Verdadeira. A mesma figura se encontra sobre todos os túmulos de Patriarcas, de Bizâncio até o Monte Athos, na Attica e a partir dessa região difundiu-se na Rússia, onde foi chamada “Cruz Russa” e na Hungria, onde se tornou “Cruz de Hungria”, passando a ser um emblema da realeza. A cruz dupla chegou ao Ocidente com o comércio de relíquias, à época dos merovíngios. No século VI, o Imperador de Bizâncio, Justino II ofereceu uma relíquia a Santa Radegonde. Chegando a Tours dentro de um magnífico relicário esmaltado, esta relíquia foi festejada com euforia por uma multidão entusiástica ao som do hino “Vexila Regis prodeunt”, composto especialmente pelo poeta Fortunat e está, actualmente, guardada na Igreja da Santa Cruz de Poitiers. Existem relicários semelhantes, cada qual mais ricamente adornado que os outros, em muitas partes da Europa e, naturalmente, na França, em Eymoutiers na Haute-Vienne. Também conhecida como “Cruz de Santo Eloi” ou de “São Luis da Santa Capela”, este símbolo está relacionado com as Cruzadas e, até mesmo, se lhe atribuem poderes mágicos. Sua forma serviu de modelo para a planificação de belas igrejas e catedrais: na Inglaterra, em Lincoln, Rochester ou Worcester e na França, como é o caso das igrejas da Abadia de Cluny, de Saint Benoît no Loire, e Saint Quentin.
A cruz dupla aparece também nas moedas e nas insígnias dos cruzados, iniciando-se com os Templários, desde que estes foram constituídos como Ordem pelo Patriarca de Jerusalém, Guarimond, em 1119. Deu-se o mesmo com a Ordem dos Hospitaleiros do Espírito Santo ou de Saint Géréon, na Palestina e depois com a Ordem da Cruz de Anjou.
A cruz dupla aparece também nas moedas e nas insígnias dos cruzados, iniciando-se com os Templários, desde que estes foram constituídos como Ordem pelo Patriarca de Jerusalém, Guarimond, em 1119. Deu-se o mesmo com a Ordem dos Hospitaleiros do Espírito Santo ou de Saint Géréon, na Palestina e depois com a Ordem da Cruz de Anjou.
A CRUZ DE ANJOU
Em 1241, o bispo Thomas de Hierapetra, em Creta, doou uma relíquia da Verdadeira Cruz de Cristo, que teria pertencido anteriormente a Gervais de Comène, patriarca de Constantinopla, a Jean de Allaye, cavaleiro angevino que retornava ao seu país, de volta da Terra Santa. Jean de Allaye doou-a, por sua vez, para a Abadia bernardina de La Boissière, em Anjou. Esta relíquia, é feita de uma madeira dura, provavelmente cedro e composta de três ramos: um vertical com 28 cm, e dois atravessados, um com 8 cm e o outro com 11 cm. Em 1357 foi colocada sob a proteção dos Jacobinos de Angers e durante a Guerra dos Cem Anos, em 1379, guardada em segurança no Castelo de Angers por Luis I de Anjou que criou, nesta ocasião, a ordem de cavalaria, “Ordem da Cruz de Anjou”. No fim da Guerra dos Cem Anos, em 1456, a relíquia retornou para a Abadia de La Boissière. Em 1790, foi transferida para o Hospício dos Incuráveis, de Baugé e escapou miraculosamente às destruições revolucionárias. Em Heráldica, a Cruz de Anjou é negra e a Cruz de Hungria é branca.
Cruz de Anjou
A Cruz de Anjou foi reconhecida como Cruz de Lorena, apenas no século XV, graças a René I de Anjou, o Bom, Duque de Lorena de 1431 a 1453 que a difundiu pelos seus estados. Seu neto, René II, Duque de Lorena de 1473 a 1508, utilizou-a para atestar ser herdeiro direto de Godofredo de Bulhões e, portanto, do Reino de Jerusalém e para justificar suas pretensões sobre o Reino da Hungria, como herdeiro da Rainha Joana II. René II escolheu como divisa para seu selo real: “Rinatus Dei Gratia Hungria Ierusalem et Siciliae Rex.” “René pela graça de Deus, rei de Hungria, de Jerusalém e da Sicília.”

SIGNIFICADOS DA CRUZ DE LORENA
• É uma representação cristã de uma cruz comum de suplício com a tabuleta de inscrição, escolhida como símbolo da Paixão de Cristo.
• É uma afirmação do poder dos Patriarcas do Oriente nos tempos de perseguições e da resistência da Fé contra todos os ataques.
• É um símbolo das Cruzadas e da Cavalaria e, portanto, sempre da resistência e da honra da Fé.
• É um símbolo dos direitos dos duques de Lorena sobre seus diversos estados e de suas pretensões sobre os reinados de Jerusalém e da Hungria.
• É um símbolo da resistência da Lorena e do direito de permanência dos seus habitantes em sua terra, contra todos os seus inimigos.

O SIMBOLISMO CRISTÃO DA DUPLA TRAVESSA
Cruz de Anjou
A Cruz de Anjou foi reconhecida como Cruz de Lorena, apenas no século XV, graças a René I de Anjou, o Bom, Duque de Lorena de 1431 a 1453 que a difundiu pelos seus estados. Seu neto, René II, Duque de Lorena de 1473 a 1508, utilizou-a para atestar ser herdeiro direto de Godofredo de Bulhões e, portanto, do Reino de Jerusalém e para justificar suas pretensões sobre o Reino da Hungria, como herdeiro da Rainha Joana II. René II escolheu como divisa para seu selo real: “Rinatus Dei Gratia Hungria Ierusalem et Siciliae Rex.” “René pela graça de Deus, rei de Hungria, de Jerusalém e da Sicília.”

René II representado em uma gravura de Jean Cayon
para a Chronique de Chrétien de Lud.
para a Chronique de Chrétien de Lud.
SIGNIFICADOS DA CRUZ DE LORENA
A Cruz de Lorena, simbolizava que os Duques de Lorena eram duplamente cristãos: por serem príncipes de um Estado cristão e por terem sido os conquistadores de Jerusalém. Além disso, possui outros significados:
• É uma representação cristã de uma cruz comum de suplício com a tabuleta de inscrição, escolhida como símbolo da Paixão de Cristo.
• É uma afirmação do poder dos Patriarcas do Oriente nos tempos de perseguições e da resistência da Fé contra todos os ataques.
• É um símbolo das Cruzadas e da Cavalaria e, portanto, sempre da resistência e da honra da Fé.
• É um símbolo dos direitos dos duques de Lorena sobre seus diversos estados e de suas pretensões sobre os reinados de Jerusalém e da Hungria.
• É um símbolo da resistência da Lorena e do direito de permanência dos seus habitantes em sua terra, contra todos os seus inimigos.

René II de Anjou, duque de Lorena e seus soldados a caminho da batalha de Nancy.
Na Batalha de Nancy, contra Carlos O Temerário, que nela perdeu a vida, René II de Anjou fez suas tropas portarem a cruz dupla para se distinguirem dos borgonheses, que ostentavam a Cruz de Santo André.
“Karolo duce stipato
Burgundorum potencia
Andrina cruce signato
Signi pro differencia
Guerram sine clementia
In Lotharingas accepit
Unde pro resistencia
Crucem binam quisque cepit.”
“Carlos O Poderoso
Duque de Borgonha,
traz como símbolo a
cruz de Santo André,
escolhida como o seu distintivo
em uma guerra sem piedade
contra a Lorena onde,
como sinal de resistência,
escolheram trazer a cruz dupla."
Burgundorum potencia
Andrina cruce signato
Signi pro differencia
Guerram sine clementia
In Lotharingas accepit
Unde pro resistencia
Crucem binam quisque cepit.”
“Carlos O Poderoso
Duque de Borgonha,
traz como símbolo a
cruz de Santo André,
escolhida como o seu distintivo
em uma guerra sem piedade
contra a Lorena onde,
como sinal de resistência,
escolheram trazer a cruz dupla."
O SIMBOLISMO CRISTÃO DA DUPLA TRAVESSA
O símbolo da cruz, uma trave vertical com uma transversal, representa a Paixão de Cristo e o instrumento de tortura sobre o qual Jesus foi crucificado. Então por que se juntou a esta uma transversal menor? Era costume dos romanos escrever em uma prancheta (chamada titulus ou superscriptio) e colocá-la sobre a cabeça do crucificado com o seu nome e o motivo de sua condenação. Assim foi colocada sobre a cabeça de Jesus a prancheta com a inscrição “I.N.R.I”: Iesus Nazarenus, Rex Iudaecorum (Jesus de Nazareth Rei dos Judeus)! Pilatos usou este costume, para humilhar e ridicularizar um pouco mais o povo colocando em subentendido à expressão "rei dos judeus", ou "aquele que se pretendia..." Nessa ocasião, em resposta aos protestos do povo, depois do “eu lavo as minhas mãos”, ele pronunciou a famosa frase:" o que está escrito está escrito!"
Esta prancheta nominativa ter-se-ia desenvolvido, na segunda travessa horizontal da cruz dupla, pois, os romanos costumavam repetir a inscrição em latim, grego e hebraico nos títulos, o que torna o texto, longo o suficiente para justificar a utilização de um pedaço de madeira com um bom tamanho.
Os historiadores se esforçam para comprovar como verdadeira a relíquia de Santa Helena mantida na Basílica Santa Cruz, em Roma. Encontrada por acaso em 01 de Fevereiro de 1492, dentro de uma caixa de chumbo escondida em um nicho da igreja, a relíquia seria um grande pedaço da tabuleta da "Verdadeira Cruz" descoberta por Santa Helena no Calvário em 326 .
Desde essa época, a cruz dupla aparece nas armas das cidades que pretendem demonstrar o seu apoio à Lorena. Ela também servirá como símbolos dos restabelecimentos católicos durante as guerras religiosas.
Esta prancheta nominativa ter-se-ia desenvolvido, na segunda travessa horizontal da cruz dupla, pois, os romanos costumavam repetir a inscrição em latim, grego e hebraico nos títulos, o que torna o texto, longo o suficiente para justificar a utilização de um pedaço de madeira com um bom tamanho.
Os historiadores se esforçam para comprovar como verdadeira a relíquia de Santa Helena mantida na Basílica Santa Cruz, em Roma. Encontrada por acaso em 01 de Fevereiro de 1492, dentro de uma caixa de chumbo escondida em um nicho da igreja, a relíquia seria um grande pedaço da tabuleta da "Verdadeira Cruz" descoberta por Santa Helena no Calvário em 326 .
Desde essa época, a cruz dupla aparece nas armas das cidades que pretendem demonstrar o seu apoio à Lorena. Ela também servirá como símbolos dos restabelecimentos católicos durante as guerras religiosas.
A CRUZ DE LORENA NA CRUZADA CONTRA A TUBERCULOSE
A Cruz de Lorena é o símbolo internacional da "cruzada" contra a tuberculose, instituído em 1902, por sugestão do médico francês Gilbert Sersiron. A escolha dessa insígnia inspirou-se na Cruz de Lorena usada pelo Duque de Lorena Godofredo de Bulhões, em 1087, na Primeira Cruzada para Jerusalém. Veja coleção de selos em: http://anamargarida-memorias.blogspot.com.br/2012/02/o-selo-na-luta-contra-tuberculose-no.html
A Cruz de Lorena, tem sido fonte de inspiração para muitos escritores e poetas. Apresentamos a nossa versão para uma poesia contemporânea e original, principalmente, pela sua forma:
A Cruz de Lorena, tem sido fonte de inspiração para muitos escritores e poetas. Apresentamos a nossa versão para uma poesia contemporânea e original, principalmente, pela sua forma:
A Cruz de Lorena
poema-caligrama de Yvan GOLL.
poema-caligrama de Yvan GOLL.
segunda-feira, 23 de junho de 2014
sexta-feira, 20 de junho de 2014
Citação
G. K. Chesterton: «Nós na verdade não queremos uma religião que esteja certa quando nós estamos certos. O que queremos é uma religião que esteja certa quando nós estamos errados.» -- The Catholic Church and Conversion
quinta-feira, 5 de junho de 2014
Camões, Máquina do mundo
A Esfera
Escrito por Luís de Camões
Depois que a corporal necessidade
Se satisfaz do mantimento nobre,
E na harmonia e doce suavidade
Viram os altos feitos que descobre,
Tethys, de graça ornada e gravidade,
Para que com mais alta glória dobre
As festas deste alegre e claro dia,
Para o felice Gama assim dizia:
- «Faz-te mercê, Barão, a Sapiência
Suprema de cos olhos corporais
Veres o que não pode a vã ciência
Dos errados e míseros mortais.
Segue-me firme e forte, com prudência,
Por este monte espesso, tu cos mais.» -
Assim lhe diz, e o guia por um mato
Árduo, difícil, duro a humano trato.
Não andam muito, que no erguido cume
Se acharam, onde um campo se esmaltava
De esmeraldas, rubis, tais que presume
A vista que divino chão pisava.
Aqui um globo vêem no ar, que o lume
Claríssimo por ele penetrava,
De modo que o seu centro está evidente,
Como a superfície, claramente.
Qual a matéria seja não se enxerga,
Mas enxerga-se bem que está composto
De vários orbes, que a divina verga
Compôs, e um centro a todos só tem posto,
Volvendo, ora se abaixe, ora se erga,
Nunca se ergue ou se abaixa, e um mesmo rosto
Por toda a parte tem, e em toda a parte
Começa e acaba, enfim, por divina arte.
Uniforme, perfeito, em si sustido,
Qual enfim o Arquétipo que o criou.
Vendo o Gama este globo, comovido
De espanto e de desejo, ali ficou.
Diz-lhe a deusa: o transunto, reduzido
Em pequeno volume, aqui te dou
Do mundo aos olhos teus, para que vejas
Por onde vás e irás e o que desejas.
Vês aqui a grande máquina do mundo,
Etérea e elemental, que fabricada
Assim foi do saber alto e profundo,
Que é sem princípio e meta limitada.
Quem cerca em redor este rotundo
Globo e sua superfície tão limada,
É Deus; mas o que é Deus, ninguém o entende,
Que a tanto o engenho humano não se estende.
(Os Lusíadas, Canto X).
Se satisfaz do mantimento nobre,
E na harmonia e doce suavidade
Viram os altos feitos que descobre,
Tethys, de graça ornada e gravidade,
Para que com mais alta glória dobre
As festas deste alegre e claro dia,
Para o felice Gama assim dizia:
- «Faz-te mercê, Barão, a Sapiência
Suprema de cos olhos corporais
Veres o que não pode a vã ciência
Dos errados e míseros mortais.
Segue-me firme e forte, com prudência,
Por este monte espesso, tu cos mais.» -
Assim lhe diz, e o guia por um mato
Árduo, difícil, duro a humano trato.
Não andam muito, que no erguido cume
Se acharam, onde um campo se esmaltava
De esmeraldas, rubis, tais que presume
A vista que divino chão pisava.
Aqui um globo vêem no ar, que o lume
Claríssimo por ele penetrava,
De modo que o seu centro está evidente,
Como a superfície, claramente.
Qual a matéria seja não se enxerga,
Mas enxerga-se bem que está composto
De vários orbes, que a divina verga
Compôs, e um centro a todos só tem posto,
Volvendo, ora se abaixe, ora se erga,
Nunca se ergue ou se abaixa, e um mesmo rosto
Por toda a parte tem, e em toda a parte
Começa e acaba, enfim, por divina arte.
Uniforme, perfeito, em si sustido,
Qual enfim o Arquétipo que o criou.
Vendo o Gama este globo, comovido
De espanto e de desejo, ali ficou.Diz-lhe a deusa: o transunto, reduzido
Em pequeno volume, aqui te dou
Do mundo aos olhos teus, para que vejas
Por onde vás e irás e o que desejas.
Vês aqui a grande máquina do mundo,
Etérea e elemental, que fabricada
Assim foi do saber alto e profundo,
Que é sem princípio e meta limitada.
Quem cerca em redor este rotundo
Globo e sua superfície tão limada,
É Deus; mas o que é Deus, ninguém o entende,
Que a tanto o engenho humano não se estende.
(Os Lusíadas, Canto X).
Chesterton
"As palavras de uma boa prosa significam o que elas dizem. As palavras de uma boa poesia significam o que elas não dizem."
G. K. Chesterton
G. K. Chesterton
segunda-feira, 2 de junho de 2014
sexta-feira, 30 de maio de 2014
Primeiro livro póstumo de Vasco Graça Moura
Guerra e Paz edita o último livro de Vasco Graça Moura
Título: Retratos de Camões
Autor: Vasco Graça Moura
N.º de Páginas: 88 páginas
PVP: 15 €
Género: Não Ficção/Ensaio
Nas livrarias a 4 de Junho
Guerra e Paz Editores
Sinopse:
Podemos assim concluir, com alguma segurança, que a perda do olho direito marcou psicologicamente o nosso poeta. Isto é, o mesmo sinal fisionómico que depois caracterizou toda a sua iconografia começa por ter uma certa relevância na própria obra do autor. De resto, fazendo a agulha para um tema que também lhe era caro, o da memória, uma das suas redondilhas, que até pode ter sido escrita antes da perda do olho direito, fala da intensificação da faculdade de recordar em quem tenha perdido a vista:
Como aquele que cegou
é cousa vista e notória
que a natureza ordenou
que se lhe dobre em memória
o que em vista lhe faltou…
Foi o último livro de Vasco Graça Moura. A poucos dias do 10 de Junho, dia de Camões, a Guerra e Paz Editores, em parceria com a Sociedade Portuguesa de Autores, tem a honra de fazer chegar aos leitores um livro de Vasco Graça Moura sobre a iconografia camoniana. É um pequeno livro, encadernado, com ilustrações a cores, que inclui retratos contemporâneos de Camões da autoria de Júlio Pomar, José de Guimarães, João Cutileiro e José Aurélio, a par dos retratos clássicos.
A sessão de lançamento de «Retratos de Camões» vai decorrer na terça-feira, 3 de Junho, às 18h30, na Sociedade Portuguesa de Autores, em Lisboa. Com apresentação do pintor José de Guimarães, Professor Vítor Aguiar e Silva e do presidente da SPA, José Jorge Letria.
Autor: Vasco Graça Moura
N.º de Páginas: 88 páginas
PVP: 15 €
Género: Não Ficção/Ensaio
Nas livrarias a 4 de Junho
Guerra e Paz Editores
Sinopse:
Podemos assim concluir, com alguma segurança, que a perda do olho direito marcou psicologicamente o nosso poeta. Isto é, o mesmo sinal fisionómico que depois caracterizou toda a sua iconografia começa por ter uma certa relevância na própria obra do autor. De resto, fazendo a agulha para um tema que também lhe era caro, o da memória, uma das suas redondilhas, que até pode ter sido escrita antes da perda do olho direito, fala da intensificação da faculdade de recordar em quem tenha perdido a vista:
Como aquele que cegou
é cousa vista e notória
que a natureza ordenou
que se lhe dobre em memória
o que em vista lhe faltou…
Foi o último livro de Vasco Graça Moura. A poucos dias do 10 de Junho, dia de Camões, a Guerra e Paz Editores, em parceria com a Sociedade Portuguesa de Autores, tem a honra de fazer chegar aos leitores um livro de Vasco Graça Moura sobre a iconografia camoniana. É um pequeno livro, encadernado, com ilustrações a cores, que inclui retratos contemporâneos de Camões da autoria de Júlio Pomar, José de Guimarães, João Cutileiro e José Aurélio, a par dos retratos clássicos.
«O que esta pequenina edição pretende ser é tudo o que Vasco Graça Moura queria que o livro fosse e a que ele me deu o seu acordo», explica Manuel S. Fonseca, administrador da Guerra e Paz, numa Nota de Editor, agora que o livro está concluído.
Vasco Graça Moura, ao longo deste seu livro faz um estudo histórico dos retratos de Camões, identificando os que terão sido feitos em vida do poeta e os que, posteriormente, deram substância à imagem que hoje temos dele. Quais foram os primeiros retratos dele? Como nos chegaram? Que autenticidade lhes podemos atribuir? Para desfazer o enigma que paira sobre a vera effigies do poeta, Vasco Graça Moura escreveu as 88 páginas do ensaio muito bem documentado e argumentado que é «Retratos de Camões».
segunda-feira, 26 de maio de 2014
Salvatore Quasimodo, poema
Neve
Cai a noite: ainda nos deixam
imagens queridas da terra, árvores,
animais, pobre gente que se fecha
em capotes de soldados, mães
de ventre seco pelas lágrimas.
E a neve ilumina os prados
como a lua. Oh estes mortos. Batam
na fronte, batam até ao coração.
Que ao menos no silêncio alguém uive
neste círculo branco de sepultados.
imagens queridas da terra, árvores,
animais, pobre gente que se fecha
em capotes de soldados, mães
de ventre seco pelas lágrimas.
E a neve ilumina os prados
como a lua. Oh estes mortos. Batam
na fronte, batam até ao coração.
Que ao menos no silêncio alguém uive
neste círculo branco de sepultados.
Salvatore Quasimodo, Itália (1901-1968), tradução de Nuno Dempster
domingo, 25 de maio de 2014
O 5.º centenário do Mosteiro dos Jerónimos e os judeus
Por ©
Inácio Steinhardt
Dezembro de 2001
A Sinagoga Grande de Lisboa, deveria ter sido um edifício sumptuoso para a época, pois constituía uma atracção turística importante. O viajante alemão Jerónimo Muenzer, que visitou Lisboa em 1494, pouco antes da supressão do Judaísmo em Portugal, refere-se ao seu interior, "decorado com extrema beleza, com um púlpito para os sermões, semelhante aos das mesquitas e dez enormes candelabros com 50 ou 60 lâmpadas cada um, além dos outros".
A história do Mosteiro dos Jerónimos, cujo 5º Centenário é o tema das comemorações, que se encerraram no passado 8 de Outubro, está intimamente ligada à história dos judeus em Portugal.
O falecido historiador israelita, Elias Lipiner, Comendador da Ordem de Mérito, a título póstumo, explica e documenta, na sua obra "Two Portuguese Exiles in Castile (Jerusalém,1997) as circunstâncias em que a Sinagoga Grande de Lisboa, construída em 1306-7, por ordem do Arrabi-Mor, Dom Judah, foi entregue aos frades da ordem de Cristo, em troca da capela de Santa Maria de Belém, na praia do Restelo. Desejoso de construir um mosteiro monumental, junto à praia de onde haviam partido as caravelas para os Descobrimentos, D. Manuel I, o Venturoso, ofereceu aos frades, em troca do terreno, a antiga "esnoga dos Judeus", sita no que antes fora a Judiaria Grande de Lisboa.
Após o decreto de expulsão de 1496 e a conversão forçada de todos os judeus em 1497, estes foram despojados do seu antigo templo, e a área da Judiaria passou a chamar-se Vila Nova. Juntamente com o edifício da sinagoga - cuja adaptação para igreja cristã foi autorizada pelo Papa, segundo relata Damião de Góis, na Crónica do Felicíssimo Rei D. Manuel - o monarca concedeu aos frades uma renda de 50 mil reais, pelas casas situadas dentro da referida Vila Nova. Entre essas casas situava-se uma casa nobre, que havia pertencido à família do judeu David Negro, a qual se refere Frei Joseph Pereira de Santa Anna, na sua "Crónica dos Carmelitas".
A Sinagoga Grande de Lisboa, deveria ter sido um edifício sumptuoso para a época, pois constituía uma atracção turística importante. O viajante alemão Jerónimo Muenzer, que visitou Lisboa em 1494, pouco antes da supressão do Judaísmo em Portugal, refere-se ao seu interior, "decorado com extrema beleza, com um púlpito para os sermões, semelhante aos das mesquitas e dez enormes candelabros com 50 ou 60 lâmpadas cada um, além dos outros". O edifício foi então purificado e reestruturado, para ser transformado na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, que se situava, antes do terramoto de 1755, segundo Samuel Schwarz e Augusto Vieira da Silva, na antiga Rua da Princesa (hoje Rua dos Fanqueiros), na esquina com a Rua dos Mercadores, a meia distância entre as actuais Ruas de S. Nicolau e da Conceição. Na voz do povo, em 1755, a igreja era chamada a Conceição Velha, para a distinguir da Conceição Nova, situada na então Rua Nova dos Ferros. A Igreja da Conceição Velha não foi incluida no plano pombalino de reconstrução da Baixa lisboeta, depois do terramoto. Em vez disso, o rei D. José deu aos frades o sítio da sumptuosa igreja da Misericórdia, na actual Rua da Alfândega, que também havia sido destruída pelo sismo. Aí foi construída a igreja, que ainda hoje existe, e que também ficou a ser conhecida por Conceição Velha. Talvez por isso, Alexandre Herculano e outros autores identificaram, por engano, a igreja da Rua da Alfândega com a Sinagoga Grande de Lisboa. Outros autores, como Vilhena Barbosa, Faria e Silva, Vieira da Silva e Samuel Schwarz desfizeram a confusão. Isso não impede que alguns guias turísticos ainda apontem para a ombreira da porta da Conceição Velha, na Rua da Alfândega, mostrando aos visitantes judeus, o que lhes parece ter sido o lugar da "mezuzá" judaica, uma caixa contendo um rolo de pergaminho com dois textos bíblicos. De qualquer modo, os turistas já não podem visitar o lugar do último templo judaico de Lisboa. Nem o sumptuoso Mosteiro dos Jerónimos, de visita obrigatória, que agora comemorou o 5º centenário da sua construção, é habitualmente relacionado com a expropriação da sinagoga, para substituir a capela de Santa Maria de Belém.
quinta-feira, 22 de maio de 2014
Kerouac
Jack Kerouac
Criou o movimento beat. Recusou o título. Andou pela a América ao ritmo do bop, benzedrina e álcool. Os seus livros influenciaram gerações. Não aguentou o peso da fama, as constantes requisições para aparecer. Isolou-se do mundo. Acabou por morrer vítima de cirrose. É uma figura romântica por natureza. O mais curioso para mim é que o termo beat vem associado ao ritmo frenético do jazz. Eu associo-o mais à derrota, ao beat(en). Mas isso sou eu.
Criou o movimento beat. Recusou o título. Andou pela a América ao ritmo do bop, benzedrina e álcool. Os seus livros influenciaram gerações. Não aguentou o peso da fama, as constantes requisições para aparecer. Isolou-se do mundo. Acabou por morrer vítima de cirrose. É uma figura romântica por natureza. O mais curioso para mim é que o termo beat vem associado ao ritmo frenético do jazz. Eu associo-o mais à derrota, ao beat(en). Mas isso sou eu.
terça-feira, 20 de maio de 2014
domingo, 18 de maio de 2014
Louvor a Maria, Nossa Senhora
« O nó da desobediência de Eva foi desatado pela obediência de Maria; aquilo que a virgem Eva tinha amarrado pela sua incredulidade, a virgem Maria libertou-o com a sua fé. » SANTO IRENEU, Séc. II
« Santa Virgem, Mãe de Deus, Maria, tesouro imaculado de virgindade, paraíso espiritual do segundo Adão (Cristo), laboratório onde se deu a união das duas naturezas em Cristo, mercado do salvífico comércio, tálamo em que o Verbo desposou a carne, sarça viva... » PRÓCOLO, Séc. V
« Ó Cristo, Verbo do Pai, Tu desceste como a chuva sobre o campo da Virgem e, como grão de trigo perfeito, apareceste onde nenhum semeador tinha alguma vez semeado e tornaste-te alimento para o mundo (...) Nós te glorificamos, Virgem Mãe de Deus, velo que absorveu o orvalho celeste, campo de trigo abençoado para satisfazer a fome da criação. » LITURGIA SIRO-MARONITA
quinta-feira, 15 de maio de 2014
Rodrigo Leão
É com o som de piano que A Montanha Mágica se começa a desenhar perante os nossos ouvidos. Esse primeiro tema do novo álbum de Rodrigo Leão estabelece de imediato o tom para a viagem que se segue: melodias que parecem fazer-se do mesmo tecido dos sonhos e das memórias, rendilhados de cordas capazes de transportar quem os ouve para outro lugar. E assim se faz a magia da música de Rodrigo Leão, ela própria um outro lugar que oferece refúgio e conforto.
sexta-feira, 9 de maio de 2014
terça-feira, 29 de abril de 2014
Teologia e espiritualidade
« Aqueles marcados com o sinal da cruz deixaram de ser cegos neste mundo; eles vêem em todos os lugares e eles comprendem a semiologia divina, aí onde tantos tolos não crêem descobrir senão o acaso e o acidental (...) Os Cruce Signati, estes cristãos regenerados ou "cosmoxènes" contraíram um casamento triplo da alma com o corpo, melhor ainda, a fé sã com a vida santa, e a união mais sagrada de todas, que conhece a alma esposa com Cristo como seu esposo. »
Johann Valentin Andrea (1586-1654)
segunda-feira, 28 de abril de 2014
Uma despedida fora de tempo - Vasco Graça Moura
Vasco Graça Moura (1942-2014)
(Foz do Douro, 3 de Janeiro de 1942 — Lisboa, 27 de Abril 2014) foi um poeta, escritor, tradutor e político português.
Vasco Graça Moura morreu hoje de manhã. Tinha 72 anos. Poeta, ensaísta, ficcionista e tradutor, deixa uma obra que marca o século XX português. Actual presidente da Fundação Centro Cultural de Belém, Graça Moura ocupou nos últimos quarenta anos diversos cargos institucionais. Director de programas da RTP; presidente da Imprensa Nacional / Casa da Moeda (a ele se devendo a edição portuguesa, em 41 volumes, da enciclopédia Einaudi); presidente da Comissão Executiva das Comemorações do Centenário de Fernando Pessoa; comissário-geral de Portugal para a Exposição Universal de Sevilha; presidente da Comissão Nacional dos Descobrimentos (1988-95); director da revista Oceanos; director da Fundação Casa de Mateus; membro do conselho-geral da Comissão Nacional da UNESCO; director do Serviço de Bibliotecas e Apoio à Leitura da Fundação Calouste Gulbenkian (1996-99) e também consultor da FLAD. Além de diversos prémios literários, em Portugal e no estrangeiro, recebeu em 1995 o Prémio Pessoa. Há três meses foi-lhe outorgada a Grã-Cruz da Ordem de Santiago da Espada. Homem de convicções fortes, nunca se preocupou com a ideologia dos seus pares. Várias vezes compilada, a obra poética [1962-2010] encontra-se disponível em dois volumes que a Quetzal publicou em Outubro de 2012 com o título de Poesia Reunida.
Traduziu, entre muitas outras obras, Os sonetos a Orfeu e Elegias de Duíno de Rilke, A Divina Comédia de Dante, Os sonetos de Shakespeare, Petrarca, Villon, e Gottfried Benn.
Excerto do poema Lamento para a língua portuguesa
«não és mais do que as outras, mas és nossa,
e crescemos em ti. nem se imagina
que alguma vez uma outra língua possa
pôr-te incolor, ou inodora, insossa,
ser remédio brutal, mera aspirina,
ou tirar-nos de vez de alguma fossa,
ou dar-nos vida nova e repentina.
mas é o teu país que te destroça,
o teu próprio país quer-te esquecer
e a sua condição te contamina
e no seu dia-a-dia te assassina.»
de Vasco Graça Moura
Por certo, Vasco Graça Moura fará a sua ascensão aos céus na companhia do Anjo de Portugal! Merece-o por todo o amor e dedicação consagrados à Pátria.
A nós, portugueses e europeus, resta-nos agradecer o trabalho que nos legou, bem como o esforço e dedicação que empregou na preservação do nosso património cultural e civilizacional. Honremos a sua memória e saibamos prosseguir vitoriosamente as suas lutas, em particular, aquela que nos move em prol da defesa e preservação da Língua Portuguesa!
quinta-feira, 10 de abril de 2014
Novalis, excerto de Os Hinos à noite
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| Busto de Novalis |
OS HINOS À NOITE
4
Sei agora quando será a manhã derradeira - quando a luz não afugentar mais a noite e o Amor – quando o sono for eterno e um sonho só inesgotável. Sinto em mim uma fadiga celeste – Longa e penosa foi a minha peregrinação ao Sepulcro Santo, opressiva a minha Cruz. A onda de Cristal, imperceptível aos vulgares sentidos, que jorra no seio obscuro do montículo de cujo sopé o terrestre caudal irrompe, quem dela alguma vez provou, quem esteve no cume das montanhas que delimitam o mundo e olhou para Além, para a nova terra, a morada da Noite – em verdade, esse não regressará jamais aos trabalhos deste mundo, à terra onde a Luz habita em eterna agitação.
Esse é o que levantará no alto as tendas da Paz, o que sente a ânsia e o amor e que olha para Além até que a hora entre todas bendita o faça descer ao imo da nascente – por cima, flutua o que é eterno, reflui ao sabor de tormentas; mas tudo aquilo que o contacto do amor santificou escorre dissolvido, por ocultas vias, para a região do Além e aí se mistura, como os aromas, com os seres amados para sempre adormecidos.
(…)
Sei agora quando será a manhã derradeira - quando a luz não afugentar mais a noite e o Amor – quando o sono for eterno e um sonho só inesgotável. Sinto em mim uma fadiga celeste – Longa e penosa foi a minha peregrinação ao Sepulcro Santo, opressiva a minha Cruz. A onda de Cristal, imperceptível aos vulgares sentidos, que jorra no seio obscuro do montículo de cujo sopé o terrestre caudal irrompe, quem dela alguma vez provou, quem esteve no cume das montanhas que delimitam o mundo e olhou para Além, para a nova terra, a morada da Noite – em verdade, esse não regressará jamais aos trabalhos deste mundo, à terra onde a Luz habita em eterna agitação.
Esse é o que levantará no alto as tendas da Paz, o que sente a ânsia e o amor e que olha para Além até que a hora entre todas bendita o faça descer ao imo da nascente – por cima, flutua o que é eterno, reflui ao sabor de tormentas; mas tudo aquilo que o contacto do amor santificou escorre dissolvido, por ocultas vias, para a região do Além e aí se mistura, como os aromas, com os seres amados para sempre adormecidos.
(…)
NovalisOs hinos à noitetradução de fiama hasse pais brandão
assírio & alvim
1998
Existe em nós
um sentido especial para a poesia,
uma disposição poética.
A poesia é absolutamente pessoal,
e por isso indefinível.
Quem não souber nem sentir
de forma imediata
o que é a poesia,
nunca poderá aprendê-lo.
Poesia é poesia.
Diferente, como a noite do dia,
da arte da fala e da palavra.
O amor é a finalidade final
da história do mundo —
o ámen do universo.
Novalis, Fragmentos são Sementes, Selecção, tradução e ensaio de João Barrento, Roma Editora, Lisboa, 2006.
Pinturas de Caspar David Friedrich (1774-1840).
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