quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Um artigo do Pe. Gonçalo Portocarrero

Um assunto muito polémico. Eis uma perspectiva.

"Um direito desumano" - Pe. Gonçalo Portocarrero

Se se entende que duas pessoas do mesmo sexo podem ser dois bons 'pais' ou  'mães', 
porque não permitir que três ou mais indivíduos do mesmo sexo possam adoptar?!

No dia 17 de Maio de 2013, a Assembleia da República aprovou, na generalidade, 
a lei da co-adopção pelo parceiro do progenitor, em uniões de pessoas do mesmo sexo.

É por um imperativo de não-discriminação que se defende que também às uniões, 
ditas homossexuais, se reconheça o que já é permitido aos casais, ou seja, à união 
de um homem e uma mulher. Contudo, a justiça não obriga a tratar todos por igual, 
mas a dar a cada qual o que lhe é devido. A justiça fiscal discrimina os cidadãos 
em função dos seus rendimentos; se o não fizesse, seria profundamente injusta. 
Uma autarquia, uma sociedade anónima e uma associação de columbófilos podem 
ter personalidade jurídica, mas é razoável que a lei não lhes permita o casamento, 
nem a adopção de menores. É uma discriminação em relação às pessoas singulares? 
Sem dúvida, mas é legítima, como justa é a interdição da adopção para uniões não
 equiparáveis à família natural, que é a união de um homem e uma mulher.

Os defensores do pretenso direito à adopção esquecem que não há, nem pode haver, 
um direito a ter filhos, naturais ou adoptivos. Não o têm os casais naturais 
– quanto muito, uma mera expectativa – nem as uniões de pessoas do mesmo 
sexo e, se aqueles podem adoptar e estes não devem faze-lo, é porque o Estado 
deve facultar ao menor órfão, ou filho de pais ausentes ou incapacitados, um pai 
e uma mãe, ou seja, uma família natural. Só na impossibilidade de adopção, 
dever-se-ia entregar a criança sem pais a uma instituição social que, como
 a união de duas pessoas do mesmo sexo, também não é, em sentido próprio,
 uma família.

Um homem singular pode ser um bom pai, como uma única mulher pode ser 
uma boa mãe e, por isso, é razoável que um só indivíduo possa adoptar. 
Mas dois homens ou duas mulheres, não só não são melhores pais ou mães 
– na realidade, só um deles poderá ser, verdadeiramente, pai ou mãe – como, 
em caso algum, podem ser pai e mãe, o que só poderá ocorrer se forem, 
respectivamente, homem e mulher.

Por outro lado, se se entende que duas pessoas do mesmo sexo podem ser dois 
bons «pais» ou «mães», por que não permitir que três ou mais indivíduos
 do mesmo sexo, possam adoptar?! Afinal de contas, a exigência da 
heterossexualidade do casal é tão natural quanto a sua composição dual: 
se duas pessoas, do mesmo sexo, podem ser casal e família, porque não 
três, quatro ou cinco?! A obrigação legal de o casal serem só dois não 
será também preconceituosa?!

De facto é e, nisto, os defensores da co-adopção têm toda a razão. É um precon-
ceito, como preconceituosa é também a essência heterossexual do casal. É um 
preconceito porque é uma realidade anterior a qualquer racionalização do amor, 
da família ou da geração: a natureza heterossexual da união fecunda não 
decorre de nenhuma ideologia, cultura ou religião, mas é uma realidade originária
e natural e, apenas neste sentido, é um pré-conceito. É uma realidade aliás 
universal, porque 97% das uniões estáveis são constituídas, em todo o mundo,
 por pessoas de diferente sexo e 100% dos casais naturalmente fecundos são 
heterossexuais. É por isto que o casamento é matrimónio: a união que faz
 da mulher mãe, ou mater, em latim, porque, quando se exclui a geração, 
não há verdadeiro casamento, nem família.

A nova lei foi saudada como um avanço civilizacional. Mas, se assim é, por 
que razão os deputados a aprovaram, na generalidade, de forma tão apressada e
 sigilosa? Se são cientes da sua transcendência, não seria lógico que exigissem
 uma maioria qualificada, como se requer para as reformas constitucionais? 
Será que temem o veredicto popular? Será que sabem que a grande maioria 
das pessoas não concorda com a nova lei?

Uma grande vitória para os direitos humanos? Que uma criança tenha, legal-
mente, dois «pais» ou duas «mães» é tudo menos humano, porque o que é 
próprio da natureza humana é ser-se filho de um só pai e de uma só mãe. 
É desumano que o filho, privado do seu pai, ou da sua mãe, veja esse 
seu ascendente substituído pelo parceiro do outro progenitor. A nova lei,
 portanto, não consagra nenhum novo direito humano, mas talvez, por
 desgraça, o primeiro pseudo-direito desumano. 

in ionline

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

»Romance Sonâmbulo«

 De Federico Garcia Lorca



(A Gloria Giner e a
Fernando de los Rios)


Verde que te quero verde.                                  
Verde vento. Verdes ramas.
O barco vai sobre o mar
e o cavalo na montanha.
Com a sombra pela cintura
ela sonha na varanda,
verde carne, tranças verdes,
com olhos de fria prata.
Verde que te quero verde.
Por sob a lua gitana,
as coisas estão mirando-a
e ela não pode mirá-las.

Verde que te quero verde.
Grandes estrelas de escarcha
nascem com o peixe de sombra
que rasga o caminho da alva.
A figueira raspa o vento
a lixá-lo com as ramas,
e o monte, gato selvagem,
eriça as piteiras ásperas.

Mas quem virá? E por onde?...
Ela fica na varanda,
verde carne, tranças verdes,
ela sonha na água amarga.
— Compadre, dou meu cavalo
em troca de sua casa,
o arreio por seu espelho,
a faca por sua manta.
Compadre, venho sangrando
desde as passagens de Cabra.
— Se pudesse, meu mocinho,
esse negócio eu fechava.
No entanto eu já não sou eu,
nem a casa é minha casa.
— Compadre, quero morrer
com decência, em minha cama.
De ferro, se for possível,
e com lençóis de cambraia.
Não vês que enorme ferida
vai de meu peito à garganta?
— Trezentas rosas morenas
traz tua camisa branca.
Ressuma teu sangue e cheira
em redor de tua faixa.
No entanto eu já não sou eu,
nem a casa é minha casa.
— Que eu possa subir ao menos
até às altas varandas.
Que eu possa subir! que o possa
até às verdes varandas.
As balaustradas da lua
por onde retumba a água.

Já sobem os dois compadres
até às altas varandas.
Deixando um rastro de sangue.
Deixando um rastro de lágrimas.
Tremiam pelos telhados
pequenos faróis de lata.
Mil pandeiros de cristal
feriam a madrugada.

Verde que te quero verde,
verde vento, verdes ramas.
Os dois compadres subiram.
O vasto vento deixava
na boca um gosto esquisito
de menta, fel e alfavaca.
— Que é dela, compadre, dize-me
que é de tua filha amarga?
— Quantas vezes te esperou!
Quantas vezes te esperara,
rosto fresco, negras tranças,
aqui na verde varanda!

Sobre a face da cisterna
balançava-se a gitana.
Verde carne, tranças verdes,
com olhos de fria prata.
Ponta gelada de lua
sustenta-a por cima da água.
A noite se fez tão íntima
como uma pequena praça.
Lá fora, à porta, golpeando,
guardas-civis na cachaça.
Verde que te quero verde.
Verde vento. Verdes ramas.
O barco vai sobre o mar.
E o cavalo na montanha.


Tradução de Eugénio de Andrade



sábado, 18 de janeiro de 2014

As premonições de Natália Correia

Natália Correia jovem


"A nossa entrada (na CEE) vai provocar gravíssimos retrocessos no país, a Europa não é solidária com ninguém, explorar-nos-á miseravelmente como grande agiota que nunca deixou de ser. A sua vocação é ser colonialista".


"A sua influência (dos retornados) na sociedade portuguesa não vai sentir-se apenas agora, embora seja imensa. Vai dar-se sobretudo quando os seus filhos, hoje crianças, crescerem e tomarem o poder. Essa será uma geração bem preparada e determinada, sobretudo muito realista devido ao trauma da descolonização, que não compreendeu nem aceitou, nem esqueceu. Os genes de África estão nela para sempre, dando-lhe visões do país diferentes das nossas. Mais largas mas menos profundas. Isso levará os que desempenharem cargos de responsabilidade a cair na tentação de querer modificar-nos, por pulsões inconscientes de, sei lá, talvez vingança!"

"Portugal vai entrar num tempo de subcultura, de retrocesso cultural, como toda a Europa, todo o Ocidente".

"Mais de oitenta por cento do que fazemos não serve para nada. E ainda querem que trabalhemos mais. Para quê? Além disso, a produtividade hoje não depende já do esforço humano, mas da sofisticação tecnológica".

"Os neoliberais vão tentar destruir os sistemas sociais existentes, sobretudo os dirigidos aos idosos. Só me espanta que perante esta realidade ainda haja pessoas a pôr gente neste desgraçado mundo e votos neste reaccionário centrão".

"Há a cultura, a fé, o amor, a solidariedade. Que será, porém, de Portugal quando deixar de ter dirigentes que acreditem nestes valores?"

"As primeiras décadas do próximo milénio serão terríveis. Miséria, fome, corrupção, desemprego, violência, abater-se-ão aqui por muito tempo. A Comunidade Europeia vai ser um logro. O Serviço Nacional de Saúde, a maior conquista do 25 de Abril, o Estado Social e a independência nacional sofrerão gravíssimas rupturas. Abandonados, os idosos vão definhar, morrer, por falta de assistência e de comida. Espoliada, a classe média declinará, só haverá muito ricos e muito pobres. A indiferença que se observa ante, por exemplo, o desmoronar das cidades e o incêndio das florestas é uma antecipação disso, de outras derrocadas a vir"."

Natália Correia
Fajã de Baixo, São Miguel, 13 de Setembro de 1923 — Lisboa, 16 de Março de 1993

Todas as citações foram retiradas do livro "O Botequim da Liberdade", de Fernando Dacosta.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Les Fin Amoureuses

1.
                                       

                                  Wa habibi, Adieu Paure Carnavau


2. 
                                             
             Festival Fora do Lugar 2012 - Idanha-a-Nova,
             Portugal, La belle jardinière


domingo, 12 de janeiro de 2014

País de Gales celebra o centenário de Dylan Thomas

Dylan Thomas será o mote de um festival que durará todo o ano de 2014 e decorrerá nas várias cidades que guardam memórias do escritor


O País de Gales prepara-se para assinalar o centenário do nascimento do poeta, ficcionista e dramaturgo galês Dylan Thomas (1914-1953) com um festival que durará o ano todo e que decorrerá nas várias cidades que guardam memórias do escritor, de Swansea, onde nasceu, a Laugharne, onde morou no final da vida, numa casa — a Boathouse — entretanto transformada em museu. O programa de actividades, da responsabilidade do governo autónomo do País de Gales e da secção galesa do British Council, deverá ainda incluir diversas iniciativas no estrangeiro, desde logo nos Estados Unidos (Dylan Thomas passou várias temporadas no país e morreu em Nova Iorque), mas também na Austrália, na Índia ou na Argentina. O objectivo é divulgar ainda mais a obra de Thomas, mas também trazer turistas ao País de Gales. O chefe do governo autónomo do País de Gales, Carwyn Jones, admirador assumido do poeta, disse ao jornal The Guardian esperar que “muitos visitantes se sintam encorajados” a visitar a região e a “descobrir a fonte de inspiração por trás do legado” que Thomas deixou. Várias figuras públicas aceitaram já ser “embaixadores” destas comemorações, do actor americano Martin Sheen à poetisa escocesa Carol Ann Duffy.
O programa consagra também a reconciliação do País de Gales com um poeta que nem sempre foi muito apreciado pelos seus conterrâneos, quer pelo facto de escrever em inglês, quer pela sua reputação de alcoólico e desordeiro. Para mote das celebrações, foi escolhida uma expressão que Dylan Thomas usa no drama radiofónico Under Milk Wood — Starless and Bible Black —, e da qual já a banda King Crimson se tinha apropriado nos anos 70 para dar título a um dos seus álbuns. Grande poeta de linhagem romântica, mas difícil de enquadrar em qualquer um dos movimentos neo-românticos do seu tempo, surrealismo incluído, Dylan Thomas é um dos nomes centrais da poesia inglesa do século XX, a par de Auden e Eliot. O seu poema mais célebre é provavelmente o que abre com o verso “Do not go gentle into that good night”, que António Lobo Antunes traduziu livremente no título do seu romance Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura



sábado, 11 de janeiro de 2014

Odilon Redon

Odilon Redon (1840-1916)
Bertrand-Jean Redon conhecido como Odilon Redon (Bordéus, 20 de Abril de 1840 — Paris, 6 de Julho de 1916) foi um pintor e artista gráfico francês, considerado o mais importante dos pintores do simbolismo, por ser o único que soube criar uma linguagem plástica particular e original
Redon foi um dos membros mais destacados do movimento simbolista, cujas bases teóricas foram definidas pelos manifestos do poeta Mallarmé e pela estética romântica. Diferente da obra de seus colegas, a sua chegou aos limites da sugestão e da abstração, e pode-se dizer que, tanto formal quanto conceptualmente, chegou, de modo visionário, perto da futura vanguarda surrealista.

Pégaso

Parsifal
Cabeça laureada
                                                                                       
Ofélia entre flores
Barca mística

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Não sei quantas almas tenho

                                                     
                                                         Poema de Fernando Pessoa,
                                                       dito por José-António Moreira

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Homilia do Papa Francisco na Missa da Epifania do Senhor

«Lumen requirunt lumine». Esta sugestiva frase dum hino litúrgico da Epifania refere-se à experiência dos Magos: seguindo uma luz, eles procuram a Luz. A estrela aparecida no céu acende, nas suas mentes e corações, uma luz que os move à procura da grande Luz de Cristo. Os Magos seguem fielmente aquela luz, que os penetra interiormente, e encontram o Senhor.

Neste percurso dos Magos do Oriente, está simbolizado o destino de cada homem: a nossa vida é um caminhar, guiado pelas luzes que iluminam a estrada, para encontrar a plenitude da verdade e do amor, que nós, cristãos, reconhecemos em Jesus, Luz do mundo. E, como os Magos, cada homem dispõe de dois grandes «livros» donde tirar os sinais para se orientar na peregrinação: o livro da criação e o livro das Sagradas Escrituras. Importante é estar atento, velar, ouvir Deus que nos fala – sempre nos fala. Como diz o Salmo, referindo-se à Lei do Senhor: «A tua palavra é farol para os meus passos e luz para os meus caminhos» (Sal 119/118, 105). E, de modo especial, o ouvir o Evangelho, lê-lo, meditá-lo e fazer dele nosso alimento espiritual permite-nos encontrar Jesus vivo, ter experiência d’Ele e do seu amor.

A primeira leitura faz ressoar, pela boca do profeta Isaías, este apelo de Deus a Jerusalém: «Ergue-te e sê iluminada!» (60, 1). Jerusalém é chamada a ser a cidade da luz, que irradia sobre o mundo a luz de Deus e ajuda os homens a seguirem os seus caminhos. Esta é a vocação e a missão do Povo de Deus no mundo. Mas Jerusalém pode falhar a esta chamada do Senhor. Diz-nos o Evangelho que, chegados a Jerusalém, os Magos deixaram de ver a estrela durante algum tempo. Já não a viam. Em particular, a sua luz está ausente no palácio do rei Herodes: aquela habitação é tenebrosa; lá reinam a escuridão, a desconfiança, o medo, a inveja. Efectivamente Herodes mostra-se apreensivo e preocupado com o nascimento de um frágil Menino, que ele sente como rival. Na realidade, Jesus não veio para derrubar um miserável fantoche como ele, mas o Príncipe deste mundo! Todavia o rei e os seus conselheiros sentem fender-se os suportes do seu poder, temem que sejam invertidas as regras do jogo, desmascaradas as aparências. Todo um mundo construído sobre o domínio, o sucesso, a riqueza, a corrupção é posto em crise por um Menino! E Herodes chega ao ponto de matar os meninos: «Tu matas o corpo das crianças, porque o temor te matou o coração», escreve São Quodvultdeus (Sermão 2 sobre o Símbolo: PL 40, 655). É assim: tinha medo e, com este medo, enlouqueceu.

Os Magos souberam superar aquele perigoso momento de escuridão junto de Herodes, porque acreditaram nas Escrituras, na palavra dos profetas que indicava Belém como o local do nascimento do Messias. Assim escaparam do torpor da noite do mundo, retomaram a estrada para Belém e lá viram de novo a estrela, e o Evangelho diz que sentiram uma «enorme alegria» (Mt 2,10). Precisamente a estrela que não se via na escuridão da mundanidade daquele palácio.

Entre os vários aspectos da luz, que nos guia no caminho da fé, inclui-se também uma santa «astúcia». Também esta é uma virtude: a «astúcia» santa. Trata-se daquela sagacidade espiritual que nos permite reconhecer os perigos e evitá-los. Os Magos souberam usar esta luz feita de «astúcia» quando, no caminho de regresso, decidiram não passar pelo palácio tenebroso de Herodes, mas seguir por outra estrada. Estes sábios vindos do Oriente ensinam-nos o modo de não cair nas ciladas das trevas e defender-nos da obscuridade que teima em envolver a nossa vida. Com esta «astúcia» santa, eles  guardaram a fé. Também nós devemos guardar a fé. Guardá-la daquela escuridão, se bem que, muitas vezes, é uma escuridão travestida de luz! Porque às vezes o demónio, diz São Paulo, veste-se de anjo de luz. Daí ser necessária uma santa «astúcia», para guardar a fé, guardá-la do canto das Sereias que te dizem: “Olha! Hoje devemos fazer isto, aquilo…” Mas, a fé é uma graça, é um dom. Compete-nos a nós guardá-la com esta «astúcia» santa, com a oração, com o amor, com a caridade. É preciso acolher no nosso coração a luz de Deus e, ao mesmo tempo, cultivar aquela astúcia espiritual que sabe combinar simplicidade e argúcia, como Jesus pede aos discípulos: «Sede, pois, prudentes como as serpentes e simples como as pombas»  (Mt 10, 16).

Na festa da Epifania, em que recordamos a manifestação de Jesus à humanidade no rosto dum Menino, sentimos ao nosso lado os Magos como sábios companheiros de estrada. O seu exemplo ajuda-nos a levantar os olhos para a estrela e seguir os anseios grandes do nosso coração. Ensinam-nos a não nos contentarmos com uma vida medíocre, sem «grandes voos», mas a deixarmo-nos sempre fascinar pelo que é bom, verdadeiro, belo... por Deus, que é tudo isso elevado ao máximo! E ensinam-nos a não nos deixarmos enganar pelas aparências, por aquilo que, aos olhos do mundo, é grande, sábio, poderoso. É preciso não se deter aí. É necessário guardar a fé. Neste tempo, isto é muito importante: guardar a fé. É preciso ir mais além, além da escuridão, além do fascínio das Sereias, além da mundanidade, além de muitas modernidades que existem hoje, ir rumo a Belém, onde, na simplicidade duma casa de periferia, entre uma mãe e um pai cheios de amor e de fé, brilha o Sol nascido do alto, o Rei do universo. Seguindo o exemplo dos Magos, com as nossas pequenas luzes, procuramos a Luz e guardamos a fé. Assim seja!


Eusébio morreu



Marcou 733 golos

domingo, 29 de dezembro de 2013

Sonho


Athanasius Kircher, Mundus Subterraneus, 1699

(Anónimo)

Um óptimo 2014, 
com sonhos bons.



quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Poema de Manuel Antônio Álvares de Azevedo dito por Paulo Autran

Manuel Antônio Álvares de Azevedo (São Paulo, 12 de setembro de 1831  Rio de Janeiro, 25 de abril de 1852) foi um escritor da segunda geração romântica (Ultra-Romântica, Byroniana ou Mal-do-século), contista, dramaturgo, poeta e ensaísta brasileiro, autor de Noite na Taverna.
Filho de Inácio Manuel Álvares de Azevedo e Maria Luísa Mota Azevedo, passou a infância no Rio de Janeiro, onde iniciou seus estudos. Voltou a São Paulo, em 1847, para estudar na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, onde, desde logo, ganhou fama por brilhantes e precoces produções literárias. Destacou-se pela facilidade de aprender línguas e pelo espírito jovial e sentimental.
Durante o curso de Direito traduziu o quinto ato de Otelo, de Shakespeare; traduziu Parisina, de Lord Byron; fundou a revista da Sociedade Ensaio Filosófico Paulistano (1849); fez parte da Sociedade Epicureia; e iniciou o poema épico O Conde Lopo, do qual só restaram fragmentos.
Não concluiu o curso, pois foi acometido de uma tuberculose pulmonar nas férias de 1851-52, a qual foi agravada por um tumor na fossa ilíaca, ocasionado por uma queda de cavalo, falecendo aos 20 anos.
A sua obra compreende: Poesias diversas, Poema do Frade, o drama Macário, o romance O Livro de Fra Gondicário, Noite na Taverna, Cartas, vários Ensaios (Literatura e civilização em Portugal, Lucano, George Sand, Jacques Rolla) e Lira dos vinte anos
Suas principais influências são:Lord Byron, Goethe, François-René de Chateaubriand, mas principalmen-te Alfred de Musset.
Figura na antologia do cancioneiro nacional. Foi muito lido até as duas primeiras décadas do século XX, com constantes reedições de sua poesia e antologias. As últimas encenações de seu drama Macário foram em 1994 e 2001. É patrono da cadeira 2 da Academia Brasileira de Letras.

domingo, 22 de dezembro de 2013

FELIZ NATAL!

Desejo a todos um bom dia de Natal, de preferência com a família alargada à mesa, a celebrar a Consoada!






sábado, 21 de dezembro de 2013

No silêncio, Deus escuta-nos

No silêncio, Deus escuta-nos - Beata Teresa de Calcutá

Não conseguimos encontrar a Deus no barulho, na agitação. No silêncio, Deus escuta-nos; no silêncio, fala às nossas almas. No silêncio é-nos dado o privilégio de ouvir a sua voz:

Silêncio dos nossos olhos. Silêncio dos nossos ouvidos. Silêncio da nossa boca. Silêncio do nosso espírito. No silêncio do coração, Deus falará.

O silêncio do coração é necessário para escutar a Deus em todo o lado — na porta que se fecha, na pessoa que reclama a tua presença, nos pássaros que cantam, nas flores e nos animais. Se estivermos atentos ao silêncio, será fácil orar. Há tanta tagarelice, coisas repetidas, coisas escusadas naquilo que dizemos e escrevemos. A nossa vida de oração é afectada porque o nosso coração não está silencioso. Vou manter com mais cuidado o silêncio no meu coração, para que, no silêncio do meu coração, oiça as suas palavras de consolação e, a partir da plenitude do meu coração, possa consolar Jesus escondido no infortúnio dos pobres.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Vitorino Nemésio, Dois poemas de Natal

NATAL CHIQUE

Percorro o dia que esmorece
Nas ruas cheias de rumor;
Minha alma vã desaparece
Na minha pressa e pouco amor.

Hoje é Natal. Comprei um anjo,
Dos que anunciam no jornal;
Mas houve um etéreo desarranjo
E o efeito em casa saiu mal.

Valeu-me um príncipe esfarrapado
A quem dão coroas no meio disto,
Um moço doente, desanimado…
Só esse pobre me pareceu Cristo.




NATAL DAS ILHAS
Natal das Ilhas. Aonde
O prato do trigo novo,
A camélia imaculada,
O gosto no pão do povo?
Olho, já não vejo nada.
Chamo, ninguém me responde.

Natal das Ilhas. Serão
Ilhas de gente sem telha,
Jesus nascido no chão
Sobre alguma colcha velha?

Burra de cigano às palhas,
Vaca com língua de pneu,
Presépio girando em calhas
Como o eléctrico, tu e eu.

Natal das Ilhas. Já brilha
Nas ondas do mar de inverno
O menino bem lembrado,
Que trouxe da sua ilha
O gosto do peixe eterno
Em perdão do seu passado.
      
Vitorino Nemésio, Sapateia Açoriana
      

domingo, 15 de dezembro de 2013

"Partiu de Madrugada" de Mafalda Arnauth

Mafalda Arnauth


A nova produção discográfica da cantora, saiu recentemente. 
O CD dá pelo nome de "Terra da Luz ".

Esta faixa é genial. Adoro-a.




terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Faro/Farol de Fisterra

Faro de Fisterra









É, por causa dos seus naufrágios, conhecido como o Cabo da Morte. Em galego diz-se Fisterra, em castelhano Finisterre. Comarca e concelho [ver aqui]
No lugar, onde os romanos encontraram um altar de culto ao Sol,  a vista deslumbrante, eis o farol, e o caminho estreito até ele, incluindo o formigueiro de turistas. Nada que seja incomum. Mesmo até uma "pinchagem" da ETA numa das paredes parece estar devorada pela força natural da paisagem.



A particularidade é, naquele local, terminar verdadeiramente o caminho de Santiago. Antes da viagem de Colombo supunha-se que ali terminava o Mundo. Depois os Portugueses deram novos mundos ao Mundo.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Fotos raras

Van Gogh aos 13 anos


Torre de Belém, Lisboa, 1920

Pintando a Torre Eiffel, 1932

Barack Obama e seu avô



Expedição militar no Pólo Norte

domingo, 8 de dezembro de 2013

Banda do Casaco, uma banda a retomar

A Banda do Casaco foi um projecto musical concebido em 1973. Lugar único de liberdade e experimentação musical onde partindo de um universo pop, de influências da música tradicional portuguesa, da sátira e do humor se criou um mundo novo,em que a crítica social não foi descurada.


Do album "Contos da Barbearia", EMI, 1978 (na impossibilidade de colocar as canções directamente, aqui ficam alguns links para as mesmas no youtube).


Na cadeira do barbeiro                   http://youtu.be/CBzyFWOg6gA

A noite passada em caminha          http://youtu.be/uL36qbRmk0s

O diabo da velha                             http://youtu.be/3enOgeEgdxQ

O enterro do tostão                         http://youtu.be/XxXgHUvxlsg

Malfamagrifada                               http://youtu.be/xKHsyfBMXkg

Zás! Pás! (O Casório do Trolha)      http://youtu.be/_v8FxL3C6yU

Godofredo cheio de medo              http://youtu.be/3y1j3pZBwZk 
    


  

8 de Dezembro, Imaculada Conceição

8 de Dezembro, Dia da Imaculada Conceição, Rainha de Portugal



quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Dürer e Wittgenstein


Albrecht Dürer, Retrato de homem com 95 anos - 1521
Gosto de pensar que este velho de 95 anos desenhado por Albrecht Dürer (1471-1528) em 1521 pensa no futuro, mais que na vida vivida. Do que viveu terá aprendido o que mais tarde lapidarmente Wittgenstein escreveu:
6.373.       O mundo é independente da minha vontade.
6.374.        Ainda que tudo o que desejamos acontecesse, isto seria apenas, por assim dizer uma graça dada pelo destino, uma vez que não existe uma conexão lógica entre a vontade e o mundo que a garantisse, e a suposta conexão física também não a poderíamos por sua vez desejar.
5.1361.     Não podemos inferir os acontecimentos futuros dos acontecimentos presentes.
A crença no nexo causal é a superstição.
5.1362.     O livre arbítrio consiste no facto de as acções futuras não poderem ser conhecidas no presente. Só poderíamos conhecê-las se a causalidade fosse uma necessidade interior, como a da inferência lógica. — A conexão entre o saber e o que se sabe é a conexão da necessidade lógica.
Ludwig Wittgenstein (1889-1951) in Tratado Lógico-Filosófico com tradução de M. S. Lourenço

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

A.M. Pires Cabral




A. M. Pires Cabral
da sequência «Ao contrário de Juan de Yepes»
in COMO SE BOSCH TIVESSE ENLOUQUECIDO,
João Azevedo Editor, Mirandela, 2003

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A Restauração de Portugal no dia 1 de Dezembro de 1640

A Restauração foi um movimento histórico que levou Portugal à independência no 1 de Dezembro de 1640.
A morte de D. Sebastião (1557-1578) em Alcácer-Quibir, apesar da sucessão do Cardeal D. Henrique I (1578-1580), deu origem a uma crise dinástica. Nas Cortes de Tomar de 1580, Filipe II de Espanha é aclamado rei de Portugal (Filipe I de Portugal).
Filipe I e os seus sucessores, Filipe II e Filipe III, não respeitaram o que tinha ficado combinado nas Cortes de Tomar.
Os impostos aumentavam; a população empobrecia; os burgueses ficavam afectados nos seus interesses comerciais; a nobreza estava preocupada com a perda dos seus postos e rendimentos; o império português era ameaçado por Ingleses e Holandeses e os reis filipinos nada faziam.
Durante sessenta anos Portugal sofreu o domínio filipino. No dia 1 de Dezembro de 1640, os Portugueses restauraram a sua independência e D. João IV foi aclamado rei de Portugal.
Assim se iniciou a 4.ª Dinastia, a Dinastia de Bragança ou Brigantina.

Hino da Restauração (1640)

Portugueses celebremos
O dia da Redenção
Em que valentes guerreiros
Nos deram livre a Nação.

A Fé dos Campos de Ourique
Coragem deu e valor
Aos famosos de Quarenta
Que lutaram com ardor.

P'rá frente! P'rá frente!
Repetir saberemos
As proezas portuguesas.

Ávante! Ávante!
É voz que soará triunfal
Vá ávante mocidade de Portugal!
Vá ávante mocidade de Portugal!

Este vídeo representa a evolução das bandeiras que Portugal já teve, da primeira à actual