sexta-feira, 6 de março de 2015

Fernando Pessoa, Dois poemas de "O Guardador de rebanhos"

O GUARDADOR DE REBANHOS - XL



Passa uma borboleta por diante de mim
E pela primeira vez no Universo eu reparo
Que as borboletas não têm cor nem movimento,
Assim como as flores não têm perfume nem cor.
A cor é que tem cor nas asas da borboleta,
No movimento da borboleta o movimento é que se move,
O perfume é que tem perfume no perfume da flor.
A borboleta é apenas borboleta
E a flor é apenas flor.
 
                                                  Fernando Pessoa


O GUARDADOR DE REBANHOS - XXXIX



O mistério das cousas, onde está ele?
Onde está ele que não aparece
Pelo menos a mostrar-nos que é mistério?
Que sabe o rio disso e que sabe a árvore?
E eu, que não sou mais do que eles, que sei disso?
Sempre que olho para as cousas e penso no que os homens pensam delas,
Rio como um regato que soa fresco numa pedra.
Porque o único sentido oculto das cousas
É elas não terem sentido oculto nenhum,
É mais estranho do que todas as estranhezas
E do que os sonhos de todos os poetas
E os pensamentos de todos os filósofos,
Que as cousas sejam realmente o que parecem ser
E não haja nada que compreender.
Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos:
— As cousas não têm significação: têm existência.
As cousas são o único sentido oculto das cousas.
 
                                  Fernando Pessoa









sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

As "Elegias" de Rilke





Rainer Maria Rilke faz a si próprio a pergunta  enquanto poeta sobre o sentido da vida e o sentido de sua vida. As "Elegias" mostram a sua resposta na forma de metáforas poéticas.
Após o aparecimento das "Elegias de Duino" em 1923, Rainer Maria Rilke  contagia o seu editor Anton Kippenberg para a primeira edição abrangente na Insel Verlag.
Ela deve conter tudo o que Rilke considera ser o centro de sua obra literária. «Sonetos a Orfeu», as «Elegias de Duíno», e outras obras, o mais significativo de prosa e contos.









quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Karl W. Grimm

  Nascido no dia de hoje, em 1786: Karl Wilhelm Grimm um dos irmãos Grimm. Aqui está uma ilustração para uma das suas histórias ow.ly/JmUqB




quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Ciclo de Tertúlias Bruninas

«Sampaio Bruno fazia de cada artigo uma lição. Ao sábio que merecia ensinar no Curso Superior de Letras, ao lado de Teófilo Braga e de Adolfo Coelho, coube a missão, talvez mais alta, de propagar o messianismo por intermédio dos jornais da cidade do Porto.»
Álvaro Ribeiro em Sampaio (Bruno)

(Clicar na imagem para ampliar.)

2015 será um ano de evocação e celebração da memória do filósofo portuense Sampaio Bruno, considerado por Álvaro Ribeiro como o pai da Filosofia Portuguesa. Falecido em Novembro de 1915, assinala-se este ano o centenário da sua exaltação, esperando-se por isso que esta efeméride sirva de mote para a recuperação de uma das personalidades mais fascinantes e complexas da cultura portuguesa na viragem do século XIX para o século XX.
Portuense ilustre, Sampaio Bruno começou por destacar-se na imprensa da sua época, bem como pelas funções que desempenhou como director da Biblioteca Pública Municipal do Porto tendo, juntamente com Guerra Junqueiro, Antero de Quental, Basílio Teles, entre outros intelectuais, animado a vida cultural nacional de finais do século XIX e inícios do século XX. Autor de obras seminais como Brasil MentalA Ideia de Deus ou O Encoberto, foi uma das principais referências para personalidades como Teixeira de Pascoaes, Leonardo Coimbra, Teixeira Rego, Fernando Pessoa, entre inúmeros outros. Não obstante todas as marcas deixadas pela sua produção intelectual, bem como pela presença vívida que impunha à sociedade da sua época, a figura de Sampaio Bruno acabou por precipitar-se, tal como a sua obra, no frio esquecimento da vasta maioria dos portugueses. Uma realidade trágica que, inevitavelmente, acabou por afectar a própria percepção de todo o século XX português.
Republicano, mas patriota, passou pelo exílio em França após o seu envolvimento na tentativa não lograda de implantação da República ocorrida na cidade do Porto a 31 de Janeiro de 1891. Abandonando gradualmente o racionalismo opressor e estrangeirado de que padecia a sociedade portuguesa, embarcou na construção de uma corrente de pensamento de inspiração mística e esotérica, situada nos antípodas da primeira fase da sua produção intelectual. Tal como Basílio Teles e outros republicanos de feição patriótica e não jacobinos, acabou por afastar-se das hostes republicanas que cedo percebeu incorrerem num pérfido antagonismo face à tradição portuguesa. Foi sobretudo durante esse período compreendido entre o seu exílio e a saída do Partido Republicano Português que, Sampaio Bruno, como tão bem descreveu Pedro Sinde em Sete Sábios Portugueses, se terá tornado ainda mais «secreto, aliás, deliberadamente secreto» e «propositadamente obscuro».
De forma a homenagear a vida e obra de tão cativante e enigmática personalidade, o Ateneu Comercial do Porto – instituição histórica indissociável da vida cultural da cidade Invicta e da qual Sampaio Bruno foi sócio –, irá promover um ciclo de tertúlias ambientadas no vasto universo brunino. Com uma periodicidade mensal, estes encontros iniciam-se já no próximo Sábado, dia 31 de Janeiro, pelas 17:00, com uma intervenção de Paulo Samuel a propósito do papel de Sampaio Bruno no 31 de Janeiro de 1891. Estas sessões prolongar-se-ão até ao próximo mês de Novembro, contando com as participações de Pedro Sinde, Henrique Manuel Pereira, Joaquim Domingues, Paulo Borges, José Marques, Edward Luiz Ayres d’Abreu, Renato Epifânio, Carlos Aurélio e Rodrigo Sobral Cunha.
Co-organizado pelo MIL (Movimento Internacional Lusófono) e a Nova Águia, este Ciclo de Tertúlias Bruninas conta ainda com as parcerias institucionais da Fundação LusíadaCírculo António TelmoOrdem de OuriqueMPMP (Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa) e revista Glosas. A participação nestas sessões será sempre livre e aberta a toda a comunidade. Para mais informações acerca da programação recomenda-se uma visita à página oficial do Ateneu Comercial do Porto, ou do Ciclo de Tertúlias Bruninas.
Não percam!

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Lisboa, Augusta émula de Roma





LISBOA DAS SETE COLINAS
«Lisboa, Augusta emula de Roma», com sete colinas veras ou ligeiramente pinceladas pela imaginação de historiadores e poetas. Assim será sempre, apesar das muralhas terem desaparecido, de novos eixos terem apontado em direcção ao norte, a ocidente e a oriente. Em vão se crismam novos horizontes, mas a cidade antiga prevalece e ninguém assimila qualquer outra suburbana «alta de Lisboa». O rigor orográfico nem sempre terá sido assegurado, mas no que diz respeito a Lisboa ser a cidade das sete colinas, estamos conversados. Sê-lo-á sempre. É desta majestosa desmaterialização que se fazem as lendas. O resto é apenas terra batida, onde as gerações vão construindo e o tempo vai destruindo. Sucessivamente.

Marina Tavares Dias
in 
Lisboa Desaparecida



segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

terça-feira, 6 de janeiro de 2015




                                                              Michael Penna

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Entrevista a Manoel de Oliveira, o mais antigo realizador de cinema de todo o mundo, quando completa o seu 106º. Aniversário.



(clique sobre o link para aceder à entrevista)


terça-feira, 25 de novembro de 2014

Cante do Alentejo

Vidigueira - Um serão dedicado ao cante alentejano

O final de tarde de 26 de Novembro promete levar à Vidigueira sonoridades alentejanas. Isto na semana em que a UNESCO vota em Paris a elevação do Cante a Património da Humanidade. Aos grupos corais que prometem cantar noite dentro, vai juntar-se uma prova do vinho novo e um magusto.

 | terça-feira, 25 de Novembro de 2014

No dia 26 de Novembro, o Comité Internacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) anuncia a decisão face à candidatura do cante alentejano a Património Cultural Imaterial da Humanidade.

No Alentejo aguarda-se a decisão com expectativa e no Mercado Municipal de Vidigueira vai ouvir-se, a partir das 18h00, a expressão musical alentejana que pode ser reconhecida pela UNESCO.

Na iniciativa «Vidigueira apoia o Cante Alentejano» vão actuar grupos corais e instrumentais do concelho, como o Grupo Coral «Os Vindimadores», Improvisos do Sul, Grupo Coral da Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito, Grupo de Cante Alentejano da Escola de Música da Câmara Municipal de Vidigueira, Grupo Musical «Sol do Guadiana» e Grupo Coral e Instrumental «Vilafradense».

O serão nesta vila do Baixo Alentejo vai ainda fazer-se com prova do vinho novo e um tradicional magusto. 





domingo, 16 de novembro de 2014

Evocação de António Telmo em Estremoz

António Telmo, filósofo, escritor e professor, figura cimeira da Cultura e da Filosofia Portuguesa foi evocado numa sessão que decorreu no passado dia 14 de Novembro, no Auditório da Escola Secundária da Rainha Santa Isabel, em Estremoz. Tratou-se de uma iniciativa conjunta da Biblioteca Escolar Almeida Garrett e do Projecto António Telmo. Vida e Obra.
A sessão teve início a meio da manhã, perante um anfiteatro literalmente cheio, no qual se verificava não só a presença de alunos e professores da Escola, como também de familiares, amigos e alunos de António Telmo.
A abertura do evento coube a José Salema, Director da Escola, que foi aluno de António Telmo e justificou a iniciativa. Seguiu-se a intervenção de Cláudia Marçal, Directora da Biblioteca Escolar, a qual apresentou também os oradores, ambos estudiosos da obra de António Telmo e com trabalhos publicados no âmbito da Filosofia Portuguesa. Seguidamente, Pedro Martins fez a “Evocação de António Telmo” e Elísio Gala a apresentação do livro “Cartas de Agostinho da Silva para António Telmo”, que a editora Licorne lançou no passado mês de Outubro, em estreita parceria com o Projecto António Telmo. Vida e Obra. O volume, com transcrição, organização, notas e comentários de João Ferreira, Pedro Martins e Rui Lopo, é prefaciado por António Cândido Franco e conta com a colaboração especial de  Maria Antónia Vitorino, Amon Pinho Davi, António Cândido Franco, Armando Carmelo e Romana Valente Pinho.
No final da sessão foi descerrado na Biblioteca da Escola, um retrato de António Telmo, que ficará a assinalar a sua passagem por aquele estabelecimento de ensino, então Escola Industrial e Comercial de Estremoz, em meados dos anos 60, imediatamente antes de partir para o Brasil, onde se juntou a Eudoro de Sousa e Agostinho da Silva, na Universidade de Brasília.
Na Biblioteca da Escola está patente ao público uma exposição bibliográfica de António Telmo.  

Hernâni Matos

Da esquerda para a direita: Elísio Gala, José Salema, Pedro Martins e Cáudia Marçal. 
Um aspecto da assistência. 
 Pedro Martins no uso da palavra. 
A intervenção de Elísio Gala. 
Exposição bibliográfica de António Telmo na Biblioteca da Escola.  

José Salema (Director da Escola) e Maria Antónia Vitorino (viúva do homenageado) no acto de
descerramento do retrato.
O retrato que ficou a assinalar a passagem de António Telmo pela Escola.
 Pedro Martins autografando o livro "Cartas de Agostinho da Silva para António Telmo". 

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

De Profundis



O ano é 1900 .Um indigente percorre as ruas da Cidade Luz, o sonho de todos…Paris .O semblante alegre dos transeuntes contrasta com a tristeza desse homem em farrapos. Ele esta sujo e maltrapilho, mas suas feições guardam uma estranha nobreza.Um viciado em absinto, a bebida dos artistas.O efeito alucinógino da bebida talvez mascare a dor e o sofrimento que lhe passam  pela alma. Mas ele sabe que a máscara é só para si. Aos olhos de quem passa ele é apenas um bêbado.
Um bêbado com um passado. No presente , apenas um ex-presidiário que sonha voltar aos dias de glamour. Não consegue.

Com os trocados que possui, suas noites são passadas em pensões e hospedagens de uma noite.
E foi assim, que numa dessas noites, num hotel barato, o bêbado conhecido como Sebastian Melmoth morre. Não chegou a ver o Natal. Era 30 de Novembro.
Essa seria apenas mais uma história de mais um bêbado, de mais um homem com um nome qualquer.
Mas não é . Na  época esse homem carregava o escândalo consigo .Atrás dos andrajos de Sebastian estava Oscar Wilde .

Condenado a dois anos de trabalhos forçados por sua conduta libidinosa ,o escritor que foi abandonado por sua mulher Constanze Lloyd foi proibido de qualquer contato com os filhos.
A paixão pelo jovem Lord Alfred Douglas foi sua ruína.
Para não carregarem a sombra da difamação , mulher e filhos mudaram de nomes e foram viver na Suíça .Não eram mais a família Wilde. Respondiam pelo sobrenome Holland .

Nos anos de prisão , enquanto sua saúde debilitava, escreveu a “ Balada do Cárcere de Reading” que o mundo conheceu como “ De Profundis”. Na verdade, uma carta de amor endereçada a Lord Alfred .
Num dos trechos da carta Oscar Wilde escreve:

 Por detrás da alegria e do riso, pode haver uma natureza vulgar, dura e insensível. Mas por detrás do sofrimento, há sempre sofrimento. Ao contrário do prazer, a dor não usa máscara.” (Behind joy and laughter there may be a temperament, coarse, hard and callous. But behind sorrow there is always sorrow. Pain, unlike pleasure, wears no mask).
De Profundis é uma longa carta de oitenta páginas, escritas uma por dia .Ao preencher uma página , esta lhe era tirada e lhe davam uma nova em branco.
É surpreendente a maneira como deu uma continuidade lógica a esse sentimento.
O sofrimento de que fala deu-lhe uma nova visão da beleza e da arte .O escritor que pretendeu esconder num quadro a face realista da vida, preferindo o gozo à dor, sentia-se agora responsável pela ruína de sua vida.

Ele inicia a carta com essa confissão :
“É preciso que eu diga a mim mesmo que fui o único responsável pela minha ruína e que ninguém , seja ele grande ou pequeno,pode ser arruinado excepto pelas próprias mãos.Estou pronto a afirmá-lo. Tento fazê-lo ,embora eles possam não concordar comigo nesse momento.
Essa impiedosa acusação eu a faço sem piedade contra mim mesmo.Terrível foi,sem dúvida, o que o mundo fêz comigo,mais terrível ainda foi o que fiz contra mim mesmo.”
Ainda assim , defendeu até a morte a idéia de que o amor perfeito residia no afecto entre pessoas do mesmo sexo.

Seus filhos cresceram sem saber a verdade e só adolescentes tomaram conhecimento dos factos.Foram ensinados desde crianças a assinarem seus novos nomes sem jamais deixarem escapar suas verdadeiras identidades.O filho mais velho Cyril descobriu a verdade mas não quis contar ao irmão mais novo.Sua mãe insistia que o pai havia morrido e que sua obra literária não era importante.

Cyril Holland , o filho mais velho morreu em combate durante a primeira guerra mundial.
Mas, a mudança de nomes não isentou a família de tragédias.Em 1898 , a mãe Constanze sofre uma queda e vem a falecer.Os meninos ficam órfãos e acabam separados. Cyril é levado para o Mónaco e Vivian segue para a Inglaterra.

Em 1900 Vivian tinha 14 anos, e foi comunicado da morte de um pai que julgava morto há muito tempo.Sem a mãe, os garotos não eram bem vistos pela família , pois apesar de inocentes carregavam uma herança que lhes era imposta por uma sociedade que em muito vivia de aparências .

Morto Cyril, Vivian soube superar todos esses traumas. Formou-se, trabalhou como tradutor, editor e fêz o que ninguém tinha coragem:Resgatou a memória, a imagem e o génio literário do pai, traduzindo seus trabalhos e editando-os em vários idiomas.
Vivian dedicou-se a escrever sua história e com isso alçou a imagem e o valor de Oscar Wilde ao lugar que merece.O livro intitula-se “Filho de Oscar Wilde”. O filho de Vivian, neto de Oscar Wilde também se tornou um escritor, mas jamais voltaram a usar o sobrenome Wilde.

Merlin Holland é escritor e editor e pesquisou a vida do avô durante trinta anos.A ele devemos a verdadeira história e a divulgação dos processos que arruinaram a vida de Oscar Wilde.
Ele nos deixou a crítica de uma sociedade hipócrita, a ironia, o sarcasmo , a vaidade humana, vícios e virtudes num único volume. Mas, deixou-nos sobretudo  pensamentos profundos e verdadeiros, que à sua época poucas pessoas teriam coragem de confessar :
Não existem boas influências. Todas as influencias são imorais, imorais de um ponto de vista científico. Influenciar uma pessoa é dar-lhe a nossa própria alma. O individuo deixa de pensar com os seus próprios pensamentos ou de arder com as suas próprias paixões. As suas virtudes não lhe são naturais. Os seus pecados, se é que existe tal coisa, são tomados de empréstimo. Torna-se o eco de uma música alheia, o actor de um papel que não foi escrito para ele. O objectivo da vida é o desenvolvimento próprio, a total percepção da própria natureza, é para isso que cada um de nós vem ao mundo. Hoje em dia as pessoas têm medo de si próprias. Esqueceram o maior de todos os deveres, o dever para consigo mesmo. É verdade que são caridosas. Alimentam os esfomeados e vestem os pobres. Mas as suas próprias almas morrem de fome e estão nuas. A coragem desapareceu da nossa raça e se calhar nunca a tivemos realmente. O temor à sociedade, que é a base da moral, e o temor a Deus, que é o segredo da religião, são duas coisas que nos governam. E todavia, acredito que se um homem vivesse a sua vida plenamente, desse forma a cada sentimento, expressão e cada pensamento, realidade a cada sonho, acredito que o mundo beneficiaria de um novo impulso de energia tão intenso que esqueceríamos tudo o que de podre poluiu humanidade. “