domingo, 16 de dezembro de 2012

de Marco Lucchesi

Marco Lucchesi

“A noite é fria”

A noite é fria
e as estrelas
brilham ao longe
é preciso sofrer                                                 
a vastidão
como quem se entrega
ao sacrifício de um deus

passei da insônia
escura
ao candor
da Via-Láctea

são tantas e tão diversas
as formas
de sondar a beleza

o Cão Maior
e a estrela Sirius
a mais brilhante de todo
firmamento

Antares
rival
de Marte sendo outro
seu vermelho quase
tão forte e vivaz

Sagitário
com seu arco
esplendoroso

e as vastas nebulosas

que se adensam
da cauda do Escorpião
aos braços
do arqueiro

a nebulosa da Lagoa
a Trífida a Ferradura
e outras muitas
como a M 55
meu sono químico
se perde no silêncio
em que ressoa a mais profunda paz

e vem

antes que Lúcifer desponte
rompendo a escuridão
com a força de seus raios

antes que Lia
volte a perseguir
com seus latidos
gatos mariposas

hei de voltar sereno
aos braços da manhã

para caçar as formas
da beleza

mais funda e mais severa

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